Taças
Perdas para Pesos

Final de Outubro

Acabamos o almoço, o semblante de Margit é triste, como tendo perdido algo. Entendo o que ela passa, entendo sua revolta.

Ajudo Misca a tirar os pratos, Ivy está com Igor no quarto, minha família salva, e livre das ameaças. Volto à sala, ela está a olhar a janela pensativa.

- Margit, queria poupá-la dessa tristeza. Você não sabe como me sinto, em vê-la, assim.

- Não, não quero ser poupada. Se não fosse por tudo isso eu não chegaria a conhecer quem realmente é a Condessa. E ela, por ser tão forte, poderia ainda me reprimir. Estou frente a frente à verdade. Perplexa! Minha tristeza é ver como pude ser tão cega... Agora, entendo quando meu marido chegava bêbado, em casa, e queria deitar comigo, ele gritava: eu paguei por isso também. Ocultava a verdade, pensando que ele se referia à vida faustosa da corte. No intimo, eu suspeitava, e agora tenho a certeza. Uma mãe, que sabendo que esse filho ama a vida livre, é capaz de levar seu filho à prisão para se manter numa suposta posição... Fazer o que ela faz com Aurel... É muito mais que triste, é revoltante!

Porém, tudo é uma grande lição. Afirmo, Natasha, sou dona de minha vida, e não vou esperar um tempo para vir morar aqui. Eu vou ficar, sei o quanto vocês me amam, e eu amo vocês.

Adoro a escola, nela sou gente, que vá a Condessa, pessoalmente dar explicações ao barão...

Vamos conversar com Igor, à noite... Penso em chamar Aurel. Penso não, vou mandar chamá-lo para jantar conosco. Assim, todos nós, conversando, chegaremos a um propósito. Podemos esperar até a noite para falarmos com Igor. Não se corre o risco de ele ir a ela. Para quê?!!!

Evidente, que Igor vai estar frente a frente a ela. Mas, dentro do senso...

Vocês adotam, não mais uma criança, mais uma mulher que sabe o que quer?

Abraço-a, não é necessário responder.

- Olha lá a titia, está chamando você.

Viramos para Igor que está com Ivy nos braços. Pego-a nos braços, nosso bebê linda e gorducha, aperto-a e a entrego para Margit.

Igor pede-me para irmos a fábrica para decidirmos o novo rótulo do vinho. Acabaram de chegar, tínhamos escolhido três. Vamos ver qual ficou melhor.

O sol está morno, andamos sem pressa.

É adorável esta estradinha para a fábrica, e parece mais bonita com a chegada do outono.

Repleta de folhas amarelas no chão.

Observamos a natureza. Paro para ver um ninho, ele levanta meus cabelos e beija minha nuca.

Entramos na fábrica. Vou a Frigys, pergunto-lhe se está gostando das aulas, pois começou há pouco os estudos. Ele sorrir, sem graça, e fala que deveria ter iniciado antes.

O aroma do vinho, nesta época, é forte.

Entramos na sala de Igor.

Sobre a mesa há algumas folhas de papel. Não chego a tocá-las, Val nos interrompe e fala baixo com Igor. Este, por sua vez, pega minha mão e puxa-me apressado.

Saímos da fábrica rapidamente, pergunto a ele o que houve.

Ele não responde.

O cavalo de Val está do lado de fora da fábrica. Ele coloca-me nele e sobe rápido.

Sua respiração está irregular.

Saímos a cavalgar velozmente, e ouço: Igor... Natasha...

Ouvimos os gritos!

Olho para Igor, os gritos continuam.

- É Margit! – falo a Igor. - Estamos chegando. Está ouvindo?! - respondo.

- Venham correndo... Igor!

Ele pula do cavalo e retira-me às pressas.

Corre à frente e eu, logo atrás dele. Corremos em direção a Margit, ela está pálida, está chorando... Ivy!

- O que houve Margit?!!! Alguma coisa com Ivy?!!!

Ela balança a cabeça soluçando.

- Coloquei-a lá fora de casa, como sempre fazemos... Em cima da colcha. Entrei para pegar seu sopinha... Ela sumiu! Sumiu!

Sinto alivio.

- Não se preocupe Margit, deve ter sido Mikail. Ele tem essa mania; leva-a para escola. Tenho certeza que foi ele, outra vez... Vamos lá, é bem capaz de ele já ter voltado. Muitas vezes pega Ivy para dar uma volta. Venha.

- Tem certeza, Natasha?

Olho para Igor, que está muito sério, e sobe à nossa frente. Sinto alivio? Não, há algo aqui em mim, mas tento tranqüilizar Margit, como a mim mesma.

- Venha, Margit, ele já fez isso antes.

- Misca está como louca. Fiquei apavorada. Ela já está andando, não teria saído sozinha?

Igor chega bem antes do que a gente.

Misca está do lado de fora de casa. Meu coração dispara. Por quê?

Igor fala com Misca e corre para um lado da casa.

Não consigo respirar direito. Misca fala, fala.

Vejo Igor ir para o outro lado, Margit o acompanha.

Não consigo sair do lugar, sinto algo estranho! Aqui, bem aqui dentro de mim.

Começa o cair da tarde.

Igor pega o cavalo e sai.

Onde, Ivy, onde você estará? Mikail não demora tanto tempo com ela.

Está na hora da sua comida.

Corro ao estábulo, pego outro cavalo e saio, Misca grita, Margit fala...

Disparo a cavalo. Sinto que corro, corro de algo que sinto, e não quero sentir!!!

Rondo pelas redondezas. Minha filha, onde você está? Se fosse Mikail, ele já a teria levado de volta. Ou já devem estar em casa. Sim, devem estar todos em casa.

Subo o morro. Subo com uma dor estranha no peito.

O cavalo de Igor está na frente da casa.

- Igor! Misca! - grito.

Pulo do cavalo. Margit vem à porta, soluça. Não consigo respirar direito.

Meu corpo treme. Minha voz suplica:

- Onde está minha filha?

Margit à frente da porta.

- O que houve Margit? Deixe-me passar... Onde está Ivy?

- Espere, Natasha.

Passo por Margit. O que vejo no sofá da sala?

Não consigo respirar. O que é isso?

- O que está acontecendo?!!!

Não sei a quem pergunto ou se pergunto.

Igor de joelhos diante de Ivy... Soluça. O grito, meu grito ecoa na casa: - Ivy! Ivy!

Igor levanta-se. A mais profunda dor sai dos seus olhos, ele corre para mim, e me abraça, soluçando. Procuro me afastar dele, mas ele me segura.

O instinto é mais forte, empurro-o.

Corro ao sofá. Ivy, deitadinha, suja de terra... Ela dorme... Sim, ela está dormindo.

Ajoelho-me a seu lado. Toco seu rosto, chego junto do seu rostinho, beijo-a... Ela dorme, sei que ela dorme. Pego-a... Ela está, Deus!...

- Ivy!... Ivy!... Acorde! Acorde, Ivy...

Alguém tenta tirá-la dos meus braços. Seguro-a, no meu peito, apertando-a.

- Ivy! Acorda! Por favor, Senhor Deus, acorde minha filha.

Igor segura meu rosto.

- Igor? Igor, o que Ivy tem?!!! Igor, ela não acorda!

Ele chora. Cai em mim a consciência do sentir. Abraço Ivy, fecho os olhos.

Isso não está acontecendo... Isso é um sonho ruim.

- Natasha!

Continuo de olhos fechados.

- Natasha, por favor, olhe para mim... Por favor... Abra os olhos. Solte Ivy. Por favor, ela não está mais aqui...

- Mentira! Ela está dormindo. Sei que ela está dormindo.

Igor me abraça, um soluço sai dele.

- Dói, Natasha... Arrebenta por dentro. Deus Pai, como dói.

Tiram Ivy dos meus braços, abro os olhos. Olho em volta: Misca aos prantos, Margit também, Val calado, Mikail... Olho para Igor : - Eu não agüento, Igor...

Saio correndo para fora de casa, corro, corro, corro...

Não é possível. Eu não acredito, eu não acredito!

Não estou vivendo isso, não está acontecendo.

Corro sem rumo. Sinto o vento frio de outono. Sinto o frio.

Minha filha, minha pequena Ivy...

Paro para respirar. Deus o que fez conosco?

Sinto os braços de Igor puxando-me. Abraça-me.

- Solte o choro, Natasha. A dor é nossa, e como dói! Como dói. Vamos sentí-la juntos.

A explosão vem de dentro, como uma devastação, um grito e que sai num tremor por todo meu corpo. Meu corpo treme por inteiro. Soluço.

- Por quê, Igor?!!! Por quê?

Ele não consegue falar.

Choramos abraçados, soluçamos juntos.

Igor lentamente senta-se no chão, creio que por pura exaustão; levando-me com ele...

Meu corpo treme muito. Ivy! Sinto a necessidade de tê-la, de senti-la em meus braços.

É noite, o vento sopra frio...

É noite alta. Porém, mais alta é nossa dor.

Subimos para casa, abraçados...

Amanhece...

Igor e eu na cozinha, sentados no banco. Encostada no seu peito; ouço o seu coração, a dor presente.

É dia, tem sol...

O outono leva a vida das árvores.

O outono leva a vida da nossa filha...

O outono e o vento.

O vento faz as folhas caírem.

O outono levou a vida de nossa filha.

Mikail coloca nossa Ivy numa cova.

Soluço e me abraço a Igor, fechando os olhos.

Ele, tenso, me aperta com muita força, fica a ver a cena.

Estamos agora na cozinha da nossa casa... Misca tirou tudo que é de Ivy. Igor e eu temos nas mãos uma caneca de chá. Margit fala com Mikail. Estou distante, tão distante.

Igor, com uma mão na testa, cotovelo na mesa, o outro braço em mim, minha cabeça no seu ombro. Ele ouve Margit... Mikail fala...

Mikail foi quem encontrou Ivy. Caíra do morro... Minha pequena estrela, plena de brilho e vida. Agora brilha em outro lugar. Soluço, Igor me abraça. Margit conta, então, a história da Condessa. Margit sai. E volta com um papel na mão; é a carta.

Igor respira rápido; lê a carta. Margit fala e fala, até que grita:

- Foi ela?!!! Pode ter sido ela?!!!

Horrorizada olho para Igor. Não, não seria possível?

Os seus olhos, em todo nosso convívio, nunca tinha o visto com esta expressão: é raiva. É mais que raiva...

Ele dá um soco na mesa com tal violência que as canecas caem no chão e fala balançando a cabeça: - É terrível demais! Não é possível...

Encosto-me nele, abraço-o. Ele encosta a cabeça na minha.

Em mim: nada, nada de que fizermos irá trazê-la de volta.

Igor levanta-se e vai à sala, olha através da janela.

Margit senta-se a meu lado e me abraça. Não existem palavras. Ela sai e vai a Igor. Ele está de costas, ela o acaricia, conversam. Baixo minha cabeça sobre a mesa. Sinto alguém alisar meus cabelos.

- Daria minha vida para não vê-la sofrer, assim.

Mikail, passa o braço no meu ombro.

Avô, falo ao senhor, sei que me escuta. Cuide de Ivy, pegue-a nos braços. Diga-lhe que um dia estaremos com ela. Sei que o senhor fará isso! Ela é nosso tesouro. Tão linda! Minha filha... Avô! Ela só dorme com alguém cantando canções de ninar, cante avô!

O senhor adora crianças, que me ama, faça com ela o que eu não posso mais fazer...

Soluço. Eu e Igor somos só dor. Não quero que ela sinta que estamos a sofrer. Quero que ela esteja alegre, sorridente nos seus braços, avô. Ame-a, faça com ela o que fez comigo. A seu lado fui a criança mais feliz e mais amada... Entrego-lhe minha filha. E, de todo coração, sei a quem entrego. Resta-me essa dor; que machuca, arrebenta meu peito; arrancaram uma parte vital para mim.

Mikail me abraça.

Olho a sala. O que Igor está a sentir com tudo que ouviu?

Levanto-me e vou a seu encontro. Seus olhos são um poço de dor e angústia.

Envolvo meus braços nele, acalentando-o.

- Se não fizer alguma coisa, Natasha, eu vou explodir. Não agüento, eu não agüento! Vou à cidade, agora!

Seguro-o, abraçando-o; ele me aperta e fala:

- Da mesma forma, com a mesma força que amo, agora sinto isso.

- Igor, não vá até lá. Não agora! - é Mikail que fala e continua. - Não vá. Vamos esperar mais um pouco.

- Não! Se eu não colocar o que sinto para fora, eu extermino o que tenho de melhor em mim.

Margit fala: - Vou com você.

- Não, vou sozinho; quero vê-la a sós.

Abraça-me e sai. Meu pensamento se distancia, afloram as frases soltas:

“... não quero ter meu filho como inimigo... o que me interessa é o poder... faço qualquer coisa, qualquer coisa...”.

- Igor! - Solto um grito de pavor. Ele corre perigo.

Olho em volta. Margit na porta vê Igor partir. Corro à porta; ele já está distante. Corro para o estábulo, ela e Mikail me seguem.

- Vou atrás dele! Não sei do que ele é capaz, mas sei do que é a Condessa.

Saio em disparada. Mikail pega outro cavalo, vem atrás de mim.

Dou-me conta de que já estou na cidade, entardece.

Mikail chega no momento que estou para descer do cavalo. Peço-lhe para ele nos esperar.

Vejo o cavalo que trouxe Igor. Não bato na porta, entro. Ouço a voz de Igor, ele fala alto; estão no jardim, corro ate lá.

Igor em pé fala:

- Você não é um ser humano. Vou acabar com o que você mais ama: o seu poder. Vou tirá-lo de você, pode estar certa disso. Vou a Áustria, quando o dia raiar; conte seus dias aqui. Pode contar que vou arrancá-la daqui se não for por meios legais, será por meus meios.

- Meu filho, me escute. Eu...

- Cale-se. Não sei como consegue me chamar de filho, não sabe o que é isso... Não pense em mim como “um filho”, sempre fui para você um adversário. Pois você, agora, para mim é, exatamente, isso, nada mais que isso... A única coisa que sobrou dos meus sentimentos por você foi essa coisa horrível que está no meu peito. Tenha raiva de mim, assim é de igual para igual, se é que você não nutre isso há muito tempo. Perdi minha filha. A dor dessa perda feriu minha alma. Você quis destruir tudo que amo, que sou... Sua ganância é uma doença, seus meios são destrutivos.

- Você não se atreva a ir à Áustria.

- Já ouvi essa frase por diversas vezes, em outras circunstancias, se naquela época eu sempre me “atrevi”, quem dirá agora! Minha vida sempre foi aberta, sou sincero e aberto. Prepare-se.

Ele lhe dá as costas e me vê, vou a seu encontro. Vejo a Condessa lívida na cadeira.

- Vamos embora daqui, Natasha.

É noite.

Estou no quarto. Igor está lá embaixo providenciando sua viagem, não há como fazê-lo mudar de idéia, e nem quero tentar. Sei o que ele sente, e sua força é tanta que se ele não fizer algo, esse outro sentir, ficará instalado nele.

Misca e Margit me trazem um chá, não há o que falar.

A dor nos acompanha. Depois de um longo silêncio, ouço Margit:

- Se eu não tivesse saído. Se tivesse ficado ao lado dela. Ah! Meu Deus.

Olho-a com carinho, toco seu rosto e falo:

- Por favor, Margit, não coloque culpa onde não existe. Se fosse assim eu poderia também dizer: por que Igor e eu saímos à tarde? Por que deixei a Condessa saber que estava com a carta? Nada fará com que ela volte, é essa a dor que sentimos.

As lágrimas escorrem por nossos rostos.

Igor entra no quarto, olha-me e suspira. Misca e Margit saem.

Olho a janela. A noite está estrelada. A estrela que Igor fica a olhar brilha. Ivy deve estar nela.

Levanto-me e vou à janela. Igor senta-se na cadeira de balanço.

- Ela está lá em cima. Meu avô a embala nos braços... Deus, como queria tocá-la...

Soluço, Igor me abraça pelas costas, puxa-me para a cadeira de balanço, senta-se e eu sento-me em seu colo. Embala-me como criança. Choro no seu ombro. Sua voz sai contida:

- Ivy! Por um tempo fomos abençoados por sua presença. Embora possamos sentir, compartilhar com você.

Levanto o rosto.

- Você fala coisas que não entendo. Eu quero Ivy aqui. Como? Como posso estar com ela? Sim, pois para compartilhar terei que estar com ela. Quando? Só quando morremos! Até lá esta dor, este vazio.

- Não, Natasha.

- Como não, Igor? Sinto a perda da minha filha.

- Compreenda-me, Natasha, por favor, compreenda-me. Não tenho muito tempo para fazê-la compreender. Se esforce, por favor... Tenho que viajar. Portanto, compreenda-me.

- Eu entendo a sua viagem. Claro que entendo.

- Não, Natasha... Você não compreende totalmente.

Ele soluça e me abraça forte, tão forte. Acaricio seu cabelo e falo mais para me mesma:

- Homem, quando chegará o dia que eu tenha a compreensão que tanto me pedes?

Ele levanta o rosto, seu olhar intenso, as feições abatidas.

- Vida, o que tens a me dizer de tudo que somos?

- Somos... Somos uma Unidade. O amor que tenho por você é a maior coisa que existe, você é o ar que respiro... Você, você... Fomos punidos, Igor? Fomos punidos?

O choro chega, não consigo falar.

- Como o Pai puniria o amor? Nenhuma forma de amor é punida! Não, Natasha, não fomos punidos. Somos uma Unidade. No momento que te vi, meu coração pulsou, depois veio a consciência: eu a amo. Você tornou-se meu caminho; e eu, o seu; quando temos consciência, arcamos com cada pulsar do coração. Temos consciência deste amor. Este amor, vida, tem a força, pois vem da vontade de nosso ser. Eis a força! Uma vez sentida e compreendida, ela nos leva aonde nosso sentimento manda. Seja onde for, por mais distante que nos possa parecer, pois a essência da vida está onde atribuímos nosso sentimento... Você sente que Ivy está ali, chegue até lá.

Olho atordoada para ele e murmuro:

- É impossível, Igor.

- Sua falta de fé no sentimento é que torna impossível.

- Igor! Como chegar até Ivy? Como?

Ele toca meu rosto com tanto carinho e fala:

- Solte seu sentimento, ele a levará até ela. Os homens criam templos de adoração, investem nos templos que estão no tempo, e morrem dentro dessas prisões. Rotulam o que é simples de fantástico, de impossível. Uns poucos Homens que sentem são erguidos como santos, pois operam a vontade do sentimento - tidos como santos, por operar a vontade - e a vontade é vista como milagre. Outros homens seguem o que ouviram e criam leis, normas. Prendem o que têm de mais caro: o sentimento. Não é pela fé dogmática que se chega a alguém. É pela fé, certeza do que se sente.

- Você pode fazer. Chegar até ela?

Ele dá um leve sorriso.

- Com o coração aberto, simplesmente sentido o amor que tenho por ela, sim.

- É por isso que você tem que viajar! No seu coração outro sentimento.

Ele afirma com um bater de olhos, e torna a me olhar forte.

- Mesmo que me cale, que emudeça, ecoa e ecoará em você à vontade e a vida do meu sentimento... Mesmo que vague, que viaje, permanece em você à luz do sentimento. Não pense, simplesmente: sinta. Sinta, Natasha. Entrego-te meu coração, senhora da minha vida, para assim estarmos sempre em sintonia, sintonia: pulsa coração-amor. Não olhe o tempo como um inimigo, simplesmente sinta o amor. E embora teus olhos não me vejam - teu coração sente. Compreenda-me, ao entregar-te meu coração, pois veio você a está terra por mim, estou e estarei sempre contigo.

Ele sobe o olhar para o céu.

- Mil estrelas numa noite, o infinito a nossa frente. O que me liga a ti? A única Lei que conheço: o Amor.

O dia amanhece.

Igor e eu na cadeira de balanço.

Vimos todo amanhecer, as estrelas se foram. O sentimento permanece.

Os cavalos estão prontos. Vão Igor, Val e Fried. Margit se despede dele. Mikail, Misca também... Serão só alguns dias, só alguns dias...

Ele vem ao meu encontro, puxa-me e me abraça. Fecho os olhos, estou em casa; sentir-me nos seus braços é desfrutar tudo que um ser humano é capaz de sentir.

- Posso viajar tranqüilo? Desde que estamos juntos nunca nos separamos. Teremos um tempo - um longe do outro - porém ao sentir e seguir o sentimento: estaremos.

- Tome cuidado, meu amado. E lembre-se de que não aprendi todas as lições. Portanto, volte o quanto antes.

- Abrace-me, Natasha. Com força.

Abraçamo-nos, seus lábios ao meu ouvido:

- É soltar-se, soltar o sentimento que está no seu coração. Respirá-lo, sem pensar em nada, mergulhar neste respirar. Então, estaremos-estando. Solte-se a mim, pois estarei solto a você, sempre solto a você. Sinta meu sopro: amo-a. Respire: amo. É simples.

Olho para ele. Tão belo, olhos que me chamam e me dão vida. O calor desse meu sol aquece minha alma.

- Igor, mesmo distante você poderá tocar minha alma?

Ele segura meu rosto entre suas mãos.

- Eu sempre tocarei tua alma, sempre. Se assim for tua vontade.

Seus lábios tocam os meus.

- Sempre, Igor.

- Então necessite-me, suspire e imperará sua vontade. Esses dias, esse tempo, mesmo não estando presente, estarei rondando você. Pois para nós não existe nem o tempo, nem a distância.

- Preciso de você... Acho-me nos teus olhos, nos teus braços estou em casa. Abraça-me!

Ele me olha, sorri e fala.

- Permita-me.

Longo abraço, longo e lento beijo.

Vê-lo partir é como se minha vida estivesse partindo...

Aceno para ele.

Um vento frio percorre meu copo, vento de outono.

- Eu amo você, Natasha!

Margit sorri, eu grito:

- Volte logo.Vida!

Encosto-me no portão do estábulo e fico a vê-lo cavalgar até sumir da minha visão.

O vento frio toma-me. Vento de outono.

Sopra o vento frio do outono...

 

 

Margit dorme comigo. Mikail está no quarto dela. Igor pediu para ele dormir aqui em casa.

Existe um ritmo na vida, mas a saudade é maior, faz-se presente. Está estampada na face de todos.Em mim há um misto tão grande: a perda de Ivy. O sentimento que tenho, esta aqui; mas a falta dela é enorme. Olho o externo: é só vento de outono.

Entardece. Pela manha estava até melhor; agora, o que é isso que sinto?

Ando de um lugar para o outro.

Noite.

Estou na biblioteca... olho as taças...

O que sinto que me desnorteia?

Sento-me na cadeira. Onde está a força?

Solte-se, Natasha, solte-se. Sinta seu sentimento. Sim, eu sinto meu amor.

Respiro e mergulho: amo você, Igor.

Respiro e mergulho no que sinto. Sinto o perfume de Igor... Mesmo que me cale, ecoará em você: eu amo você...

Sentimento solto... É noite ele está junto à fogueira, ergue-se a ouvir...

Grito! Ouço meu grito!

Mikail abre a porta.

- Eu ouvi, Mikail, eu ouvi Igor! Ele chamou por mim!

Ele se debruça na cadeira e me abraça.

Misca me dá um chá. Quantos terei que tomar para me acalmar.

Eu ouvi sua voz, eu ouvi. Margit alisa meus cabelos...

A casa é silêncio.

Margit dorme a meu lado. Não consigo dormir. Estou oca, sinto só frio.

Não existem pensamentos. Talvez, não queira pensar.

Vida, volte logo, e me tire dessa agonia...

O dia começa a clarear.

Estou na cadeira de balanço, em frente à janela.

A claridade começa a chegar, sinto frio... Vejo meu reflexo no espelho, tenho olheiras.

Sol, você que nasce tão forte, por que tenho tanto frio?

Ouço patas de cavalos...

Meu coração bate rápido. Levanto-me, olho para baixo. São eles, estão de volta!

- Margit! Chegaram... Acorda! Eles chegaram!

Abro a janela: - Igor!

Ouço Margit, atrás de mim: - Já?!

Olho para baixo, Val, Fried... Eles olham para mim.

Oh não! Eu não acredito.

Empurro Margit e corro para baixo, caio nas escadas, levanto-me. Abro a porta...

- Não! Não! Não!...

À minha frente Val e Fried carregam Igor. Sua camisa é só sangue...Não! Não!

- Não! Igor! Igor você não pode, não pode ser...

- Foi uma emboscada, Natasha. Só acertaram nele.

Tampo os ouvidos. Fecho os olhos. Isso não está acontecendo.

Abro e vejo-os carregando Igor. Chegam Mikail, Margit e Misca que grita...

Abraço meu próprio corpo.Tentado me segurar, abraço meu corpo. Deitam-no na mesa.

Corro para ele.

- Vida! Amo você, não pode me deixar sozinha. Você é toda minha vida.

Passo a mão no seu rosto... Beijo seus lábios...

Sua camisa é só sangue.

- Deus! Por que faz isso conosco?!!! Deus! Ele toda minha vida. É minha vida!

Sinto uma tontura. Vejo tudo turvo.

Onde estou?

É nosso quarto. Foi um sonho!

A meu lado Margit, doutor Lajos. É isso, estou doente. Doutor Lajos fala:

- Natasha, ouça-me, você está muito fraca. Não saia da cama.

Graça aos céus, foi um sonho, um sonho ruim.

- Igor? Ele já chegou, alguma noticia dele?

Margit me olha apavorada, lágrimas escorrem por seu rosto.

- Eu não sonhei... É verdade?

Margit me abraça, desesperada. O médico dá-me algo para beber. Vejo Mikail na porta.

- Mikail, fale-me a verdade! Ele está vivo?

Lágrimas no rosto de Mikail. Olho para ele, para Margit. Pulo da cama, Mikail está na porta, vou a ele. Eu sinto, como já tinha sentido, com aquele frio. Não foi sonho, é verdade.

- Deixe-me passar Mikail, por favor!

- Não, Natasha! Fique aqui deitada! - é Margit que fala.

- Mikail, deixe-me passar. Quero vê-lo. Quero tocá-lo. Eu necessito, preciso.

Ele me abraça e fala: - Venha comigo, Nat.

Desço parte das escadas. A casa está repleta de gente. Muita gente!

As pessoas se afastam. Muita gente. Há choro na sala.

Vejo o padre Pal orando. Pára ao me ver. Mikail afasta algumas pessoas.

E o vejo. Igor!

Aproximo-me e toco seu rosto, toco seus lábios, abaixo-me.

- Você tem tanto o que me ensinar! Você sabe, sabe que é minha vida. Perdoe-me, não saberei viver sem você. Como ter vida?

Beijo seus lábios, coloco meus dedos por entre seus cabelos.

Não sei o tempo. Meu amado à minha frente, sem vida.

Não existe mais brilho nos seus olhos, estão fechados. O belo rosto, o cabelo negro.

Um barulho, algum tumulto. Um arrepio no meu corpo.

A Condessa. Ouço Margit:

- O que a trouxe aqui Condessa? Ver se seu plano, se sua emboscada deu certo?

Eis ai, Igor! Uma coisa que a senhora tem que saber e estar atenta. A senhora pode ter acabado com a vida dele, mas não dos seus ideais, que estão aqui em todos nós. E eu, enquanto vida tiver lutarei por tudo que meu irmão lutou. E, agora, vai mandar matar-me também? Terá muito trabalho, pois terá que fazer o mesmo com todos que aqui estão. Agora saia! Não pense que ninguém vai fazer de conta que não sabe que fez essa barbaridade! Os que estavam na cidade ouviram uma conversa que veio da sua casa. Que Igor foi morto pelo Movimento, porque precisam de um herói nacional. Pensa que só a senhora é inteligente, não é Condessa? Suma dessa casa. Pois sua presença me dá nojo.

A Condessa se aproxima e a esbofeteia. Margit passa a mão no rosto, vira-se e lhe dá um tapa, que ela balanceia.

- Suma. Esta casa não é sua, nem tampouco este homem é seu filho!

Ela fica a olhar Margit, um pouco de sangue escorre pela boca da Condessa, ela cospe no chão e sai.

O silêncio é total. Margit vem a mim, ficamos caladas a olhar para Igor.

 

Novembro.

Igor? Você ouviu o que aconteceu a nossa pequena? Ouviu?

Ela andou e caiu. Por alguns segundos, ou minutos. Margit desesperou-se ao ouvir a esposa de Carl nos contar. Nem ela sabia que era Ivy, foi pedir ajuda e ao retornar, não a encontrou. Mikail já a tinha pegado. Sabemos que não há culpados, nem desatentos. Margit solve esta compreensão. A mim parece que ela sabia que o pai não ficaria muito tempo aqui conosco. Alguma fada lhe contou. E agora, vocês, estão juntos.

É intenso o frio.

Daqui da janela vejo a terra já branca, é quase dezembro.

- Natasha. Doutor Lajos está aqui.

Ele chega perto e fala com carinho:

- O que posso fazer? Não sei mais. Você só tem ossos. Misca falou-me que não tem comido nada. Natasha, você tem que reagir!

- Admiro sua dedicação. Estou bem, fique tranqüilo.

É noite...

- Nat?!!!

- Entre Margit.

- Pensei que estivesse dormindo. Trouxe-lhe leite. Vai tomar sim. A escola está indo bem.

- Fale-me, conte-me como foi seu dia...

Ouço-a. O pensamento vai a ele. Meu sentimento está com ele. Minha alma também, minha vida...

- ... e, Elizabeth veio lhe ver, você estava deitada, Natasha? Você está me escutando?

Ela alisa meus cabelos.

- Você não consegue ficar sem pensar nele, não é?

- Não... É mais forte que tudo...Não só pensar, é o que sinto e não tenho como expressar...

- Será que ele gostaria de vê-la assim, Nat?

- Não, claro que não. Ele, sempre falou que estaríamos juntos. Como? Se ele não está aqui. Quem pode responder-me? Só conheço um homem que pode me dar a resposta. Ele não está aqui. Eu não tenho mais vida...

- Claro que tem, a escola precisa de você, todos precisamos. Somos você, eu, Mikail a continuidade dele, da força dele.

- Margit, você disse tudo. Existe uma força, a força de Igor. Busco-a e só encontro nele.

 

Amanhece.

O que você estará fazendo, Igor?

Como está nossa pequena Ivy?

- Natasha.

- Bom dia, Mikail.

- Seu suco, por favor tome. Logo sua família estará aqui, já pensou nisso?

- Claro! Será bom, não é?

Ele toca meu rosto, me alimento só para satisfazê-lo. Eu, realmente, não sinto fome. O alimento está distante.

À tarde, sonho com ele. Está bonito. Seus cabelos negros; seus olhos brilham em meio a um sorriso: amo você.

Acordo, olho nosso quarto...

Vou dar um passeio, não neva.

Pego o casaco de pele. Visto-o, estou mesmo magra.

Estão todos na escola. Misca foi levar um bolo até lá. Margit e Mikail estão em plena atividade. A escola cresce de forma bonita!

O frio não é muito.

Subo o morro. Meu pensamento é nele, no mago.

Por que você fez isso comigo? O certo seria o contrário, você teria a força para ficar. Tenho certeza. Embora, sempre afirmasse me achar uma pessoa forte. Eu não sou.

Subo ao lugar onde nos encontramos pela primeira vez. Fiquei sem ar, seu magnetismo tomou-me. Sorrio, relembrando-o: - É você? Você voltou?

E aqui sentimos nossos corpos. Olho morro abaixo; sorrindo: só aqui?!

Por todo esse vale, por entre bosque, nas águas do Balaton.

Imprevisível, sincero, despojado.

Gestos amplos.

A camisa sempre aberta ao peito, sede do coração. Sentindo um amor que os homens comuns não conseguem entender, ou temem sentir.

Em mim trago a certeza que você sabia o que iria acontecer, de certa forma, você tinha consciência, se não plena, uma parte tinha.

Como foi sua vontade preparar-me. Como estar preparada, Igor? Quando me abraçou e chorou, na cadeira de balanço... Como estar preparada, Igor?

Tudo de uma vez! Ivy e você. Existe um traçado na vida e eu não assimilo! Eu não assimilo!

Eu vi o que aconteceu. Eu vi! Era noite, vocês estavam perto da fogueira. Você estava sentado. Ouviu um barulho e levantou-se. O que era para assustar, atingiu teu coração.

Por isso entregaste-me? Entregaste-me o que tens de mais sagrado.

E, naquele momento teu coração, chamou por mim, e eu fui.

Como também sei, pois sinto; a Condessa não tinha intenção de tirar tua vida, e sim te assustar.Todos nós sabemos, e creio, que o sofrimento dela é por demais terrível. Que o Alto tenha misericórdia. Se querias, de certa forma, ensinar a Condessa; ela aprendeu, da forma mais dolorosa.

Em mim: aqui na terra quem vence é o poder?

A receptividade do amor vem da alma, se a alma é eterna o amor também o é.

Amo você Igor. Amo você. A saudade que tenho de você e Ivy me mantém viva?

Elizabeth, quase todos os dias, vem me ver.

Ali está nossa árvore. A essência da vida está no sentido que atribuímos ao nosso sentimento. Meu sentimento é você Igor, e, sem você, não há vida.

Quem sabe em outra?!

Sopra o vento.

Começa a nevar.

Olho adiante, ali estão Ivy e você. Não, vocês não estão ali. Estão lá no alto.

Sem vocês, não agüento mais...

No inverno passado, eu daqui de cima dizia que abaixo do monte estão os mortais, e acima os imortais. É aí onde você e Ivy estão. Eu, aqui a olhar para cima a dizer: amo você, Igor, amo você, Ivy.

Mais alguns dias deve chegar a família: anya, o pai, Andrei, Belle. Todos! Menos você. Amo minha família, você sabe. Porém, já não agüento viver sem você. Lhe falei um dia que meu medo era não estar com você, eis-me aqui, sem você.

- Ajude-me... Eu não agüento mais...

Ontem, vi a moça das nossas taças, ela não estava mais no quarto, estava num lugar com algumas pessoas vestidas de branco. Pensei que era o céu: o quarto todo branco, as três pessoas vestidas de branco, e uma dessas pessoas dizia: - Ela vai viver!

A seu lado, na cabeceira da cama, tenho certeza, que era você. Só que, desta vez, a emoção tomou conta de mim. E chorei...

Será que um dia, serei essa moça? E você, você não era físico. E sem você nada tem sentido... Nada...

Poderia responder-me?

Homem, me prometes-te que estaríamos, cumpra!

Cai neve, acho melhor descer.

Cuide de Ivy, fale-lhe que a amo.

Desço devagar. Desço devagar, meu pé engancha...

- Mikail? O que aconteceu?

Olho o céu, é quase noite... Tenho frio.

Estou nos braços dele. Acho que me leva para casa, sinto sono.

- O que está fazendo, Natasha?!!! Sabe como a encontrei? Quase que coberta de neve! Meu Deus, o que você quer?!!!

Abraço-o, e falo:

- Podia ser você, Mikail, era mais simples. Se fosse você estaríamos juntos.

Encosto a cabeça no seu ombro.

- Minha dama...

Chega a noite.

Abro os olhos, e fecho-os, em seguida.

A voz de doutor Lajos. Está distante.

- Não tenho mais o que fazer. Não há mais nada a fazer. É o pulmão, além de ela estar muito fraca, não quer reagir. Não sabem como me sinto...

Durmo.

É Misca: - Minha menina, por Deus reaja... Você é como uma filha...

O sono é forte e abençoado.

- Igor!... É você?!!!

Abro os olhos, Mikail e Margit ao meu lado.

- Natasha, você tem que...

Não entendo a frase. Ele não está aqui.

Abro os olhos, amanhece... A claridade, um contorno... Não consigo enxergar... É ele! Sinto que é ele. Escuto sua respiração, a sua voz: - o amor que tenho por você é eterno.

- Igor! Volte!

Abro os olhos e vejo Mikail, falo: - Mikail, cuide de Margit, de Misca. A escola é necessária. Fale ao pai a anya que os amo... Como amo vocês...

Durmo.

Acordo com Elizabeth, ela chora, fala, não a entendo, mas falo: - Elizabeth eu tenho um imenso carinho por você, é tão forte... Margit minha amiga e irmã... Mikail, Misca... Está tudo tão longe... Misca faça anya e o pai entender...

Abro os olhos... Abro bem os olhos...

É fim de tarde... Sol... Luz.

É ele! Vejo-o junto à janela, encosta-se nela. Sorrindo, balança a cabeça... Levanta o braço, chama-me, o gesto conhecido...

Olhos negros que me dão vida chamam-me. E a voz grave e forte, tão conhecida:

- Amada! O amor é eterno, é vivo!

Venha a mim. Estais para deixar teu corpo, tudo fica mais registrado neste momento. Ouça-me e sinta: ao acordar lá, não         estarei ao teu lado, busque-me em sintonia amor. Ao entregar-te meu coração, dei-te quem sou. E só conheço alguém que poderá me reconhecer. Por que estaremos juntos sim, no 'tempo certo'! É nosso trato, nossa promessa, nosso Selo; que não é de agora e não é daqui. Um trato Selado e Consagrado. E plenamente vivo e vivido! Selado por nós e pelos Seres que são Amor. Sempre e sempre, meu sentimento está contigo. Pois amo você, Vida.

Vem, minha vida. Vem!

A vida chega, sorrio e falo:

- Estou indo, Igor...Sim, estou indo...