Taças

Junho

 

Hoje, pela amanhã, Mikail apareceu cedo, com telas e alguns lápis.

Fomos os três para a beira do lago. Ele fez alguns esboços do lago, meu e de Igor.

Mas é difícil reter Igor.

Agora, minha preocupação é com o jantar especial.

O irmão de Igor vem aqui para casa. Não estou tensa, e estou. Pois há muita curiosidade sob minha pessoa, em toda cidade – comentário de Misca. O que de fato, acho normal. O conhecido conde casar-se com uma cigana. Deve ter despertado em muitos a tal “curiosidade”, que Misca tanto fala. E como tanto fala Igor: nossa vida é aqui, nas vinhas, no lago – em nosso sentimento!

“A essência da vida está no sentido onde e como atribuímos nosso sentimento”.

A própria vida é o sentimento...

Vez por outra vem esta frase dele.

Tomo um gostoso banho, visto um vestido que Misca fez. Está bonito.

Ouço cavalos! Devem ser eles.

Desço as escadas.

Ao abrir a porta, deparo-me com Igor. Ele beija meu rosto, atrás dele esta Aurel, que me olha; um olhar curioso!

Como ele é diferente de Igor!... Não parecem nem irmãos, sua pele é alva, os cabelos são claros.

- Natasha, meu irmão Aurel.

- É um prazer conhecê-la.

- O prazer é meu, vamos entrar?

Entramos em casa. Misca colocava a mesa e, ao vê-lo, vai falar com ele.

A conversa fica por conta de Aurel, que informa a chegada do Visconde em uma semana.

O jantar é servido.

Observo os dois, uma diferença básica.

Igor é sempre seguro no que fala.

O objetivo da visita do Visconde, afirma Aurel, é de rotina.

Mas não é verdade, se eu sabia, quem diria Igor! Vejo-o ficar impaciente.

Mudo de assunto, falamos sobre Margit, a irmã deles. Aurel fica aliviado, e Igor me olha com ar travesso.

Existe um pedido contido no irmão de Igor: onde ele não quer se envolver, nem mesmo falar no assunto.

Como podem ser tão diferentes?

Aurel inseguro, sempre justificando as atitudes da Condessa e, indiretamente, as dele próprio.

A Condessa dará uma recepção ao Visconde, uma grande recepção.

A festa será marcada assim que o Visconde chegar, mas todos já estão avisados.

- Já convidaram Festetics?

Aurel fica vermelho.

- Claro que não, Igor!

Pergunto curiosa: Quem é Festetics?

- Um amigo meu, mora em Keszthely. Caso ele não possa comparecer, você terá o prazer em conhecê-lo, Natasha.

Aurel olha-me e fala:

- Ele, Festetics, é também um Conde. Um Conde progressista. Difere do nosso, pois vive num castelo quase tão bonito quanto o de Versailles ou o nosso Shonbrunn.

- Nosso?!!! Shonbrunn, seu?

Meu irmão, quando você irá abrir seus olhos e ver que a única coisa que a Áustria quer de nos são os impostos. Acorda, Aurel! Quantas vezes você colocou os pés em Shonbrunn?

Algumas raras vezes e quantas vezes você remete nosso imposto a eles? Você não enxerga que está pagando caro demais pelo prazer de ir lá ver aquelas pessoas, que falam conosco como se estivessem fazendo um favor.

Ainda me lembro do noivado de Margit: conte-nos o que se passa, em conviver com aquela gente da Hungria.

É muito para minha paciência. Aurel, é aqui que você vive, na Hungria. E é essa gente que trabalha para dar, com o seu suor do rosto, a um grupo de desocupados, fúteis e vazios, requinte e luxo.

- Chega, Igor!

Quando é que você ira criar juízo? Você não é dono do mundo. Você não pode ir de encontro a regras tão antigas quanto à própria História.

Onde você quer chegar? O que você tem a lucrar? Não passa por sua cabeça onde tudo isso pode levar você? Ser um traidor não é uma coisa muito boa, e você é suficientemente inteligente.

Igor está calmo, meu coração vem à boca, e Aurel continua:

- Você é visto como um aristocrata excêntrico. Só que existem rumores, ainda não comprovados, mas são autênticos. O que você me diz?

Igor aperta os olhos e responde:

- Ou você me conhece muito pouco, ou é um imbecil. Honestamente, descarto as duas hipóteses.

- Igor, meu irmão, até admito que realmente o admiro, você e suas opiniões. - Aurel respira fundo e continua.

Só que quero saber, aproveitando esta oportunidade, esta nossa conversa, aonde você pensa que vai chegar?

- Chegar? Não estou entendendo. Não pretendo chegar a lugar algum. Eu já estou.

Veja à sua volta, Aurel, o trabalho que fazemos se não é todo justo, é pelo menos digno. Convivo com toda essa gente e gosto dela. Só isso, eu não tenho maiores pretensões.

Até respeito àqueles que gostam de viver faustosamente desde que o que tenham seja de maneira digna. Seria total estupidez da minha parte tentar arrancar o Imperador do seu trono... Se bem que seria o ideal, mas não chegamos a tanto. Agora, enquanto estiver vivo irei lutar pelos direitos da Hungria, se não for possível à separação, que haja a integridade.

Mas, meu irmão, se essa gente não tem a decência para com os seus, como poderão ter com outros mais distantes?

- E o que você vai fazer?

Igor brinca com os talheres da mesa para olha-me e pergunta irônico ao irmão.

- O que eu faço que o tanto incomoda?

- Talvez seja exatamente isso. Por enquanto é o que você não faz. Você não vai à corte, vive numa casa de campo comum, está sempre rodeado de gente humilde, veste-se como tal. Só que as noticias que estão na corte se agravam mais e mais. Dizem que você faz parte de um comitê ou conselho para a separação da Hungria. E que sua nacionalidade só tem um lado, o húngaro. São conversas.

- Posso ir mais além que você, Aurel. Queriam, ou pelo menos tiveram a idéia de tirar-me daqui, como uma transferência.

- Como soube disso?

- Existem meios.

- Nossa mãe não sabe disso.

- Aurel, não seja ingênuo. O que eles lucrariam em tirar-me daqui?

Aqui eles estão a par do que faço. Melhor deixar-me como estou.

Pela primeira vez, pergunto:

- O que você acha que eles podem, então, fazer?

- Mandar o Visconde aqui, saber a realidade dos fatos. Por enquanto só isso. Aí, então a Condessa fará uma festa digna de Shonbrunn. Irá, com certeza, confundir nosso amigo.

Ao dizer isso, ele dá uma de suas risadas.

Aurel levanta-se, dizendo: - Você é cabeça dura, mesmo.

Igor pergunta por Margit. Aurel diz que ela, em breve, virá a Badacsony. Depois, olha-me e diz:

- Natasha, você não imagina como queria conhecê-la. Meu irmão teve muito bom gosto.

Você é muito bonita! Desculpe-me pela franqueza e liberdade.

- Franqueza é uma das melhores qualidades humanas, e liberdade é um estado que se adquire quando se quer.

Quero, Aurel, que se sinta franco e com liberdade aqui na nossa casa.

Aurel olha para Igor e sorri.

Igor olha-me ternamente e pergunta:

- O que é liberdade para você, Natasha?

- Liberdade é fundamental ao meu povo, comungo com Rousseau: “Todos nascem homens e livres, a liberdade nos pertence, renunciar a ela é renunciar à própria qualidade de homem”.

Ela, a liberdade, é, ao meu ver, um estado, e além de estado é um ato, o ato de acreditar. Ela não é uma imposição, nem tampouco uma situação. Se assim o fosse estaria limitando. O estado, creio, é adquirido pela consciência. O ato de crer nela nos faz soltos, onde todos são iguais.

Temos a liberdade de escolher. Se temos a liberdade de escolher e somos capazes do ato da escolha, como o homem a poderia tolher?!!!

Tudo começa a girar em torno dessa festa, soube por Val que o comentário na cidade é este: a festa e a chegada do Visconde.

Aos tolos, a necessidade de uma aparição pública. Os de maior visão irão ter uma confrontação de forças, austríacas e húngaras, e os curiosos irão conhecer-me. Pessoas que freqüentam a casa da Condessa estão ansiosas em conhecer a cigana.

Também ainda não fui à cidade e, sinceramente, não tenho vontade de ir. Desfruto da harmonia que vivemos aqui.

Ainda é estranho a mim ver tanto amor do homem à pátria, à sua terra.

Concebo e comungo a idéia da liberdade, a Hungria livre, mas não consigo entender o patriotismo.

Os homens que vieram aqui ontem à noite são movidos por atos de liberdade a qualquer preço.

Mesmo o uso da violência talvez seja o melhor, segundo eles.

Mais tarde, Igor depois de tê-los acalmado, falou-me a razão da raiva dos homens. São os impostos, a desigualdade.

Nós não concluímos a razão da vontade de usar meios violentos.

Tentar melhorar a condição de vida das pessoas, fazer as pessoas conscientes dos seus direitos é, sem duvida, um grande efeito.

Compreendo tudo isso, mas me pergunto: o patriotismo, o que realmente vem a ser?

Vendo o que vi na Rússia, onde jovens morreram sozinhos, de maneira bárbara, por amor a seu país? Justifica perder a vida?

Sei o que Igor tem em mente, e isso é assunto bastante discutido por nós dois: melhorar as condições de sua gente. Isso faz parte dele, como seu próprio pulmão. Sua visão é de uma comunidade ativa. Por causa disso, vamos construir uma escola aqui perto. E, apesar de todo esforço de Igor, os pais fazem pouco caso.

Por mais que ele se esforce, em mostrar os direitos deles, o que vejo é que todos têm uma verdadeira adoração pelo Sr. Conde.

Ontem, Misca e eu corremos à casa de um morador, sua esposa, veio nos chamar. Seu filho ardia em febre. Tomamos a primeira providência: um banho frio. Pedi a Val para chamar Igor e doutor Lajos. Perguntei há quanto tempo a criança estava com a febre. A resposta: três dias. Perguntei o porquê de não terem falado, principalmente o marido, que está com Igor nas vinha o dia inteiro.

A resposta: para não incomodar.

Depois de doutor Lajos tranqüilizar a todos dizendo que se tratava de caxumba, saí com Igor; ele amargurado a falar: - Você ouviu a resposta a sua pergunta? Para não incomodar! Eles pensam que o que faço é um favor. Como eles podem ser respeitados, se eles não se respeitam?

Acertamos, então, com ele que todos os dias faria uma visita às casas da redondeza, para falar da escola.

O carisma dele brilha como o sol de verão.

É impressionante. Há quase uma semana estou indo às casas das redondezas.

Eles vêem o mundo por um ângulo diferente, ouvindo suas histórias dá para compreender.

São pessoas tão sofridas; a maioria veio de terras onde trabalhavam como verdadeiros escravos.

Quando Igor se fixou aqui, na casa de campo, correu a noticia no lago que existia um conde justo.

Essa gente veio, trazendo a esperança de melhoria, mas não acreditando em si mesma, nem em seu trabalho e sim no Sr. Conde. Ao falarem de Igor fica-lhes estampado no rosto a admiração.

Sempre falo no esforço conjunto, que Igor quer ajudar, mas o esforço tem que ser de todos.

A escola fica como um exemplo real.

Vamos todos ajudá-lo a fazê-la.

Eles olham-me, incertos.

Hoje, sinto-me vitoriosa e estou a sorrir sozinha.

Entro em casa pela cozinha. E lá está ele, sentado no banco, vira-se.

Olhos negros, tão belo. Fala como o sol está quente, meu sol à minha frente; que a máquina emperrou novamente.

Conto a ele o que acabara de ouvir da esposa de Ferene: “Acho que o que o Sr. Conde quer é que sejamos capazes de ver o mundo por nossos olhos”.

Estamos no começo de uma caminhada.

O Visconde não chegará na data prevista.

Tarde bela.

Estou na biblioteca lendo, mas vez por outra meu olhar vai às taças.

Deixo o livro na escrivaninha e vou à estante, onde elas estão.

Toco suas bordas. O que vocês trazem?

Respiro fundo... E vejo a moça. É ela!

Está no lugar em que sonhei, está numa cama.

Ela está deitada e suada... Ela está doente.

Tem febre! Sei que é febre. Quem é ela?

Entardece.

Por que vejo essas coisas?

Quem é essa moça?

Já aconteceram outros fatos tocando fundo minha sensibilidade. Mas nada assim. Minha sensibilidade leva-me a ela?

É só com pessoas chegadas a mim. Como explicar a aparição dessa moça? Qual sua ligação comigo? Minha sensibilidade leva-me a ela?

Ela parece doente, muito doente. Talvez morra.

Sim, eu sinto que ela está muito doente, e que pode morrer!

Meu coração dispara... Posso viver sem Igor?

Diabo, Natasha! O que tem a ver uma coisa com a outra. Meus pensamentos nesse momento se confundem.

- Posso viver sem Igor?

Sinto várias respostas chegarem a mim. É evidente que sobreviveria sem ele, mas ele é a vida, o colorido da vida. Qual a razão da vida sem ele? Minha razão afirma, sobreviveria. Mas meu coração: sobreviveria?!

Tenho que saber!

É tão grande e tão forte esse amor. Este amor é o que sou.

Posso tocar o céu, posso tocar os pássaros. Posso tocar sua alma, seu ser... Pois a amo. Um amor infinito que irá durar para sempre e sempre.

Posso viver sem Igor?

Vem-me uma angústia enorme que vai aumentando mais e mais! E por quê? Por que estou a me perguntar isso? Por que estou a sentir isso?

Sinto minha fragilidade, meus temores.

Quero correr a ele, abraçá-lo. E por que não?

Corro pelas escadas.

Corro até a fábrica.

- Igor está?

- Boa tarde, senhora. O Conde está nas vinhas.

- Obrigada.

Corro às vinhas, fico nas pontas dos pés para ver se o vejo.

- Lá está ele, senhora.

Dou-me conta, então, de que o homem me acompanhou. Agradeço.

Vou andando, a vontade é de correr.

Lá está ele agachado olhando alguma coisa, corro até ele, ele se volta:

- Natasha?

Levanta-se sorrindo, toco seu rosto e o abraço apertado.

- Aconteceu alguma coisa? Você está bem?

Ele me afasta, pela cintura, para me olhar.

- O que houve?

- Saudades.

Ele me aperta forte; a segurança me invade.

- Acho que não é só isso. Quer falar-me?

Aceno com a cabeça.

- Não sei se posso viver mais sem você.

Seus olhos, que mostravam preocupação, ficam estranhos.

- Não sei se posso viver sem você. Você sabe o que é isso? Pode me explicar.

Deu-me uma angústia, uma dor no peito e corri para cá. Por que estaria a sentir isso?

Falei-lhe das taças e das impressões que sempre me assaltam ao vê-las e tocá-las. E a sensação de perda. Excede: a perda de não estar com ele.

Seu olhar fica mais estranho, ainda.

Abaixo a cabeça, ele levanta meu rosto, fico a olhá-lo, e vem sua voz grave:

- De que você tem medo?

- De não conseguir viver sem você. Sei que, talvez, seja uma bobagem. Mas neste momento precisava vê-lo, senti-lo.Você pode me ajudar?

Ele beija meus dedos, um a um, depois aperta minha mão segurando-a e saímos andando.

Entramos na fábrica, ele fala com alguém. Estou a observá-lo, ele está sério.

Novamente, pega minha mão e saímos calados.

Minha angústia se dissipa pelo simples fato de estar com ele!

Sentamos no tronco de uma árvore; o sol morre, a noite chega.

- Olhe para mim.

Volto-me para ele, sorrindo. Ele continua sério. Olha-me como se quisesse ler meus pensamentos. Sua voz é grave:

- Por que você tem tanto medo de me amar?

Pega-me de surpresa, meu sorriso some.

- Eu? Medo de amá-lo? Não tenho medo de amá-lo.

Mas, por que essa pergunta?

Sua seriedade continua.

- Responda-me, Natasha.

- Estou lhe respondendo, Igor. Não tenho medo de amá-lo! O que você quer dizer com isso?

Ele fica à minha frente; balançando a cabeça.

- Tem. Você tem medo. Vou falar o por quê. Você perguntou a si mesma se poderia viver sem mim. Você estabeleceu dois pólos: a vida e o amor.

Qual é o mais forte?

Existe em você uma diferença onde deveria existir uma união.

- Espere, não é bem assim. Dei-me conta de que minha vida é você.

- Onde está seu medo, Natasha?

Sua vida é sua vida. Embora eu afirme: Minha vida é você.

Olho para ele, confusa.

- Igor... Se minha vida é minha vida, como você afirma que sua vida sou eu?

Quem está colocando a diferença é você, não eu!

Seu olhar penetra no meu ser com uma intensidade que faz meu coração acelerar.

- Natasha, quando um homem se rende ao sentimento amor, pois se vê diante de algo ilimitado, quando o homem vê dentro de si, por vezes perplexo, este sentimento o impulsionar, nutrir e gerar a força; quando o homem descobre que o amor é Tudo, toma consciência de que o amor é vida, e vida é amor.

Meu amor entrego a você, senhora da minha vida, pois a amo.

Se minha vida é você, por que eu me perguntaria se posso viver sem você?

Pelo óbvio, você ainda tem medo de me amar. E eu te pergunto, por quê?

Fecho os olhos. É claro! Existe em mim o medo, eu ainda temo.

Ele passa os dedos no meu rosto e fala suave:

- O que ainda a faz temer?

- Gostaria de saber. Porém senti uma angústia tão forte, ainda há pouco, que só passou quando estava a seu lado. Você me faz ficar solta, livre.

Tenho consciência do meu amor, mas não no sentido amplo como você.

Há, dentro de mim, um pedacinho de medo, medo de me machucar. Insegurança.

Sabe o que ocorre? Vejo e sinto a imensidão do nosso sentimento. Constato: estou vivendo tudo isso. Não é um sonho, não é uma fantasia, é um fato, que vivo dia após dia. Aí temo. Temo perdê-lo, temo que o amor acabe.

Ele me envolve nos seus braços, calor amado, beija minha nuca e fala:

- Eu jamais deixarei você, nunca! Você não acredita no eterno?

Afasto-o e olho para ele.

- Quem me garante? O que sinto é vivo por demais, mas quem me garante que é duradouro, que é eterno!

- Você terá que se garantir.

Toco seu rosto, passo os dedos por entre seus cabelos.

- Amado, a força é essa sensação que sinto? Sim, eu sinto que é. Eu tenho que me render, não é?

Há tanto e tanto a aprender!

- Não, vida, há muito a sentir. Mediante o que sente, a intensidade do que se sente, aí sim, somos como forçados a admitir que existe uma força maior, em nós mesmos.

- Por que sinto o temor? Se vivo dia após dia o amor. Sim, vivo, a cada momento, este imenso sentimento. Daí vem: é duradouro?

Ele dá um leve sorriso e fala: - Eu a amo, falo que o que sinto perdurará, porque é assim que quero, excede: é minha vontade.

Será assim sempre. Por que você iria me perder? Se eu não quero deixá-la.

Como isso seria possível?

Natasha, o que quero é estar sempre, eu falo, sempre, eu afirmo, sempre com você.

Se temos algo por demais valioso, onde estaria nossa sensatez para perder.

Há tanto a partilhar. Até o medo faz parte da descoberta, só não o deixe tomar grandes proporções. Focalize e sinta a força. A força vinda do sentimento.Entraram emoções passageiras como os pensamentos; sinta o amor.

Eu estarei com você e farei o que for necessário para você estar serena e tranqüila.

Abraço-o, sorrindo, passo as mãos no seu pescoço e falo baixinho:

- Você seria capaz de viver sem mim?

Ele sorri, balançando a cabeça:

- Ah! Natasha, Natasha... Amor é vida, vida é amor.

Você é o ar que respiro.

Posso até passar sem sua presença física, mas sem o teor desse sentimento que tenho por você, por ser você, sendo você, não!

E vem, aperta-me num abraço.

Ficamos a ver o céu estrelado...