História Encantada

 

SÍMBOLOS - continuação

 

Como explicar ao meu sentimento algo tão desconhecido a mim.

Como explicar ao coração à Razão Maior.

Como compreender ao ver-sentir o que Eles passaram.

Que nem palavras me vinham...Quantas vezes ali em Esther ver-sentir.

Ver-sentir, assim começou:

 

 

 

Tudo parecia parado. Me inquietava estar na cela.

Saí, andei na relva, olhando o céu... Tudo parado, nem o ar sentia. Salve Ar!

Nada... Dirijo-me ao lago.

Se o Senhor não estivesse em trabalho em Esther iria até Ele.

Não sentira isto antes.

E não só sou eu, o ar, aqui no Lugar-Sagrado está parado.

Entro na Água, saudando-a, mergulho, agradável sensação, da água em mim, porém tudo continua parado.

Algo ocorre.

A inquietação aumenta.

Seria energia enviada?

 

O Senhor falou-me que Eles colocavam o sentimento em ação, como aqui, sentimento-Luz em gestos, aceleração, e lá dizem ser “Milagres”, a certeza do sentimento em ação.

Estaríamos dando maior quota de energia?

É novo para mim, só sinto: tudo parado e gera inquietação.

Saio do lago, tenho que me equilibrar.

 

 

 

Ouço o chamado do Senhor do Portal.

 

 

Sigo para Esther, deve ter sentido que não estou em equilíbrio.

Quase Todos estão aqui, e aqui, tudo, também, está parado.

Ele vem ao meu encontro.

- O que sentes, Mayara?

- Senhor, não consigo me equilibrar. Estou inquieta, sinto que algo ocorre.

Ele manda trocar-me e aguardá-Lo no salão. Meu coração está agitado e mal consigo trocar as vestes.

Chego às pressas no salão. Encontro o Senhor andando lentamente. Ele também sente!

Senhor, aqui estou.

- Com toda Vontade do meu sentimento, não queria que você estivesse a sentir nada, como ti falei, não tenho respostas a minha própria pergunta: por que você sente? Há uma vontade maior, um apelo maior. Venha!

 

 

Eu sinto, e Te passo, eu sinto, é sobre Eles. Está acontecendo algo. Não precisa palavras, eu sinto que é.

- Palavras serão necessárias.

Atenta: Seja forte, represente sua Casa no Aqui-Agora. E faça o que lhe pedimos: é o Comando, é o Tratado em ação no Plano Original.

Não há tempo para maiores explicações, temos que agir. É necessário o suporte.

- Suporte de energia, Senhor? Energia da minha Casa?

- Mantenha-se, e faça o que te mandar.

- Sim, Senhor, o farei.

 

Entramos em Esther, não sei bem quem são os que ali estão, pois o aperto no coração é enorme.

 

 

Sigo até a Pedra. Alguém, pela ligação necessita de suporte.

 

 

Suporte, já compreendera, quando há maior necessidade de quota de energia, pois os que ali estão, inconscientes em missão, não têm consciência que é necessário maior quantidade, mediante a ação.

Suporte de energia enviada pela “Pedra”, ainda não tinha participado. Suporte de energia em Palavras.

Em Palavras?!!!

 

A cena...

Um Homem junto à outros, empurram-No com força,

Mais perto da Pedra. O que fazem?

Rasgam suas vestes, e o amarram. Olho para o Senhor: é um dos nossos!

 

Ha algo nas mãos daqueles que o amarram, erguem e batem nele!

Não pode ser... Estão em missão e o suporte é dado.

As mãos amarradas, quase que despido, batem nele.

Equilibre-se, Mayara, o suporte em energia.

Das suas costas escorre nosso líquido vermelho.

Segue energia: Recomposição.

Assim é nossa eterna canção, recomposição, segue na Luz do Som.

O coração dispara.

O que significa isto?

Envio energia: recomposição!

 

 

Não estamos conseguindo!

Energia: RECOMPOSIÇÃO.

Batem no seu rosto.

Energia: RECOMPOSIÇÃO.

O coração dispara.

- O que é isto? O que fazem?...

Recomposição, entôo o tom.

- Mayara, não é este o suporte, entre em sintonia.

 

O que tenho que fazer?

Por que estão parados, Senhores?

 

Em Tom, falo Aquele que aparece na Pedra: Saia dai!

O Senhor pega meu braço.

E vejo um dos Homens da Constelação, erguer o rosto, liquido vermelho.

E ouço: Sustente-me.

 

Como é que é? Percorre nos Senhores, o que Ele falou?

Retirem-no! Senhores?!... Em que sintonia estou?

Ouço dele em sintonia: sustente-me.

- NÃO! Falo alto.

O Senhor segurando meu pulso.

- Sustente-o.

 

- Claro que não... Vamos tirá-lo. Porque estão parados?

 

- ESCUTA: PALAVRAS. FAZ PARTE DO TRATADO.

- Isto que fazem com Ele, escorre Dele nosso líquido.

Isto faz parte?... Não estou em sintonia, Senhor do Portal?

Só consigo ver cena, Senhor do Portal pela Luz: intervenha!

Entôo à canção...

Ele é só líquido vermelho.

Meu coração aperta e não respiro, pois, percorre em mim, o absurdo pedido a todos: Sustente-me.

É só o que ouço.

 

Que plano é este?

Totalmente atordoada, ouço agora a voz de Comando do Senhor, do Arqueiro, de Anches, do irmão Dele... E do Comando.

Atordoada: que plano é este? Atordoada com o que sinto, em ver o que vejo!

Alguém estaria comigo? Ariel?!!!

Nada! Peço... Peço pelo coração em súplica: Tirem-no.

 

O SUSTENTARMOS E CORTAR O ELO. O ELO DOURADO.

Olho em volta sem entender, fecho os olhos, sintonia:

Irei tirá-lo!

Grande Homem, irei tirá-lo.

Falo em Palavras: Retirá-lo.

E vejo pela Pedra seu olhar, que passa-nos: Sustente-me.

Dois caminhos, dois caminhos... Ouço o Senhor do Portal:

- Entoemos: Palavras.

Se falar o elo é quebrado. Sabem disto mais que eu.

Meu coração aperta: Dói!

A força do Comando está toda presente.

Toco a Pedra.

Na minha cabeça ouço a voz de Todos, no meu coração: não tem que ser assim.

Há luta, aqui, dentro de mim.

Com a mão na Pedra... Tocá-lo posso.

SUSTENTA-ME.
A força do Comando é maior.

 

FALEMOS! AS PALAVRAS! ROMPER O ELO DOURADO, JÁ!

É O COMANDO: PARTIR O ELO!

Meu corpo treme...Falar, não agüento mais ver isto... Dor.

Dói aqui dentro.

Dos meus lábios, entôo o elo dourado. Não consigo o Tom certo... E alguém emite a mais bela canção. Som qual da harpa, som de vozes juntas.

 

Falo as Palavras.

Sinto, eu sinto o elo se enfraquecendo.

Não consigo ver direito, algo nos meus olhos me impede de ver bem.

- CONTINUAI, PALAVRAS!

Continuam as palavras saídas de dentro de mim. Dentro de mim, mas há o coro do Som.

Elas saiam, lentas, como as flores em flocos... Shorum, Shau... mui, mui Rah... Yan...Om na marrrr... Flutuam saindo dos meus lábios: correndo, percorrendo o ali e chegando ao lá.

Como a nossa Luz se transformando em fogo, as Palavras, derretem o Elo Dourado.

 

Saíram... Voando, seguindo.

O Grande Homem recebe... Sinto que recebe.

E um forte Tom: - Tirem-na daí!

O elo, o elo dourado se quebra.

 

- Tirem-na daí!

Passo a mão no rosto. Alguém me tira de Esther.

- Descanse, Mayara, estais sem energia.

Nada mais resta.

Dos meus olhos sai água salgada.

E um grito abafado dentro de mim: POR QUE?!!! POR QUE?!!!

- Me larga, Faya.

 

Corro à cela, pego a tocha de fogo. O fogo junto com a água fez adormecer os quatro. O fogo que correu e atingiu o alvo...

Sigo para o lago, entro nele com a tocha e, na cachoeira, apago-a.

Como querendo apagar o que vi.

 

 

“Tempo” o termo usado.

Foi para isto que foram?

“Tempo”.

Em mim, tudo ficou como que parado. Quem sabe, desde o momento que se foram.

”Tempo”.

Isto é a razão?

Ser símbolo é dor, água salgada e nosso líquido vermelho a escorrer.

Dor é dor. Não há muito o que se falar sobre isso, só se sente. Porém é um sentir tão diferente.

O elo foi partido.

E o que faço é olhar o lago onde apaguei a tocha, e o que ocorreu foi que minhas Palavras partiram o elo.

 

 

ASSIM FOI PARA COM OS QUATRO HOMENS.

O MESMO A SER FEITO, O MESMO A SER VISTO E SENTIDO.

ELOS SENDO PARTIDOS...HOMENS VIRARAM SIMBOLOS.

 

 

 

Da janela da cela: uma Luz cruza o céu.

Lá fora: festa!

Como num “Tempo” eu também senti, e não era festa.

Flores em todos os lugares, não em mim.

O Senhor bate à porta e entra sorrindo: - Eles chegaram!

Como ouvi isto depois.

Olhei-O: - Senhor, logo irei.

 

Da janela, vi-os descendo da caixa de luz.

Mesmo à distancia, vi que a aparência deles havia mudado.

Um deles percorria, com o olhar, o ambiente de festa.

O Arqueiro...

Seguiram para Esther, sim, todo movimento é de festa.

O que festejam?

Saí da cela, saí para o lago, subi as escadas e corri, corri até ver meu Reino.

Vontade de estar ali; de ser quem era.

Sento-me.

Sorrio... Porém o que sinto aqui dentro é que está quebrado.

Meu Reino, pisar em meu lugar conhecido e ficar ali.

Sem o sentir, só a dor. Isso é a razão?

Retorno ao Lugar-Sagrado.

 

Em Esther, Todos com tochas na mão. Novamente?!

Se dirigem, um a um, até a Água, inclinam-se na Pedra, onde aparece o Vale.

E vão a Lamparina, acendem a tocha e falam: - LUZ DA ORIGEM! LUZ NO VALE! LUZ NA TERRA!

 

 

Entregam-me a tocha, vou à água, à Pedra, e sem olhar, falo:

- Luz da Origem! Luz no Vale!

O Senhor olha-me sério, repito... Porém, não sai o restante.

Com a mão, num gesto, o Senhor manda-me voltar a todo ritual.

Vou à água, a Pedra: Saúdo o Vale.

E na Luz, engoli um sentir, que depois entendi ser resistência.

- Luz da Origem! Luz no Vale... Luz na Terra.

Acendi a tocha e saí.

 

Aquele ritual era para fazer descer Luz à Terra.

Existirá subida em corpo.

 

Festa regresso, seria sempre assim? É assim que o Plano Original atua?

E o Tratado que nos regia?

- O que mantém minha irmã tão distante? Te busco desde que aterrissamos aqui, mais que eu, Ele...

Já não o escuto, só olho para ele.

Meu irmão, o que fizeram à todos vocês?!!!

Anches, o belo Homem, o mais belo, estava diferente. É estranho, estavam diferentes, todavia, o olhar não muda.

Ele me envolve num abraço pleno de calor.

Sentia falta disto.

Puxa-me para sentarmos.

- Quis te falar, mas com que Palavras? Fazia parte.

Vejo o olhar conhecido.

- Na verdade, gostaria de voltar ao Reino, se fosse possível, e sei que não é.

 

Ele exala amor, segurança. Encosto a cabeça em seu ombro.

Que este momentum se prolongue!

Senti que não, que logo voltariam ao Vale.

- Qual a dor que sentes, irmã?

- Dor, como queria não tê-la conhecido.

E pela segunda vez, água salgada em meu rosto. Aprendera a segurá-las, mas ali, elas caiam, e falo:

- Só quero voltar ao Reino, nosso Reino. Como se possível ser quem era.

- Poderia te falar: volte?

Suspirei: - Sim. Embora saiba que, por ter sentido: dor, não poderei voltar. Trago em mim, algo que no Reino desconhecem. Eles têm que manter, na alegria: Regresso.

E o que trago é tão desconhecido a todos de Lá, ouve-se falar, porém, até as palavras eram suaves. Não posso voltar ao nosso Lar, Anches, era tudo o que mais gostaria, e você, mais que eu, sabe disto, porque não te ouvi?!!! O que tenho ainda para fazer aqui? Aqui, não faço mais parte de nada, nem em sintonia entro! Admiro Todos vocês, porém eu não entendo. Não o que vi e o que fizemos. Sei que pelo que foi feto, pelo elo: deu força. Os meios que encontram para realizar o Plano Original me chocam, vão de encontro ao que sinto.

Não consigo sentir amor pela Terra.

 

Ele ergue meu rosto, enxuga a água.

- Eu sei Anches, aprendi que lá precisam de símbolos, agora vocês são símbolos. Que sigam e realizem. Só que eu não consigo!

Observo o doce olhar, seus olhos cor de mel, permaneceram com a mesma cor. Porém, o que fizeram ao Arqueiro!

- Minha irmã, no momento em que se abrir, sentirá o amor pela Terra, esteja certa. Sinto, Mayara, como sinto. Mas não podes mais retornar ao nosso Reino. Um “dia”, Todos regressaremos.

Até lá, Eles têm que manter, sem qualquer mácula, a pura e inteira alegria.

 

Busco com o olhar os quatro. Como? Se não sinto.

Sei da imensidão do que foi, sei e sinto, porém de forma diferente.

Olhar o Homem como um símbolo vivo.

 

Baixo a vista, no Reino não posso ir. Te peço: outro lugar, aqui não participo mais de nada.

- Para não estar com o príncipe de Keon?

- Também, te falo do que sinto. Não só com ele, com você, com o irmão dele, com todos. Compreenda-me, não é só ele, e sim, todos vocês. Olhar-te me é difícil, não entendo.

Admiro-os, sei que precisam, lá precisam; porém eu não comungo, não faço parte; quem sabe, fiz minha parte.

Posso ser útil em algum outro lugar, já que no Reino não posso estar.

Anches, isto vem de dentro de mim, é o que sinto. A ti não há como ocultar, não faço parte deste plano.

Te peço: outro lugar.

 

Ele me olha por um momento, seu olhar revela tantas coisas, e por fim, fala:

- Verei o que posso fazer, logo nos reuniremos. Pedirei remanejamento.

 

Logo seguem à Esther.

Tenho sentimento pelo Lugar-Sagrado, porém, não sou mais a mesma.

Evitei o Arqueiro, que tentava sintonia e por respeito à Casa, deixou-me em conversa com meu irmão.

Também, não tenho o que te falar.

 

Da porta de Esther o Senhor do Portal me chama, sigo-o.

Vejo os Homens sentados em frente à Pedra, evito o olhar do Arqueiro.

E na Pedra, Os Senhores do Conselho, três Deles.

Com profunda reverência, faço o gesto: Saudando-Os.

O Senhor do Portal aponta o lugar onde devo sentar-me. E um dos Senhores do Conselho, fala:

- Estamos cientes do que sentes, filha. O teu irmão nos informou e pede intervenção. Queres remanejamento.

- Sim, Senhores. Se possível, assim poderei atuar.

O Senhor do Portal toca a mesa, pede a Palavra.

- Filha, todo este “tempo” conosco, aqui é teu lugar. Fazes parte e há tamanho sentimento por ti.

 

Suas palavras tocam meu coração.

- Eu sei, pois sinto, amado Senhor, eu fui e não sou mais.

Meu sentimento, por Todos aqui, permanece, porém não atuo, pois não compactuo.

 

O Senhor Ancião, atento olha e fala:

- Gostaríamos que refletisse sobre seu sentimento e pensasse no assunto.

- Não há o que pensar, Senhores. Serei útil em tantas outras coisas.

Ouço um som, o Arqueiro bate na mesa.

- Perdão, o que ocorre é comigo. Poderiam nos deixar a sós para trocarmos palavras?

Eles se olham e meu olhar vai até ele.

- Não há palavras.

Seu olhar é mantido fortemente.

- Se não ha pára ti, para mim há.

O Senhor Ancião:

- Se uma das partes assim o quer, assim têm que ser.

Logo retornaremos. Salve!

 

A Pedra fica em seu Tom azul.

Anches ergue-se e encosta a fronte na minha, todos saem, exceto o Arqueiro que me olha tentando sintonia.

- Não tenho o que te falar.

- Eu tenho, falo na cela.

E impaciente, pega-me pela mão e seguimos para a cela.

- Onde está a tocha?

Não me volto para responder, aponto o lago:- Ali.

- É por minha causa que queres o remanejamento. Sei que é. Passa por ti: Foi a minha Estrela que queimou, e estais certa. A tua Estrela, nela o Lugar Sagrado, e os seus, também em missão.

 

- Sei agora o que é dor... Não me venha com palavras, que hoje sei, pois senti, o que querem dizer. Feriram-se em físico? São símbolos em físico? Admiro-os, porém não consigo participar, não há sentimento, entende?

 

Minhas palavras abalam-no.

E tentando assimilar, cansado, senta-se. Coloca as mãos na fronte.

- Como não há? Como, se sou o mesmo?

- Continua tua missão, continuarei a minha. Que Todos os quatro sejam louvados na Terra, louvo-Os.

Dê-me licença: descanse.

Olho o Arqueiro. Respiro fundo e saio da cela.

 

O som dos meus passos no corredor, corro.

Eu sinto... Eu sinto!

Como isto é possível?!!!

Eu sinto, eu ainda sinto.

Saio de Esther e vou para o lago.

Toco na água, meu corpo treme: eu sinto! Tão cristalino e puro, como a água, o sentimento vive.

Mergulho na água, fecho os olhos sentindo a água me envolver, como meu próprio sentimento.

Luz não se apaga, é vida viva, assim é meu sentimento.

Meu coração pulsa, pulsa tanto, pleno de Luz viva.

Luz não se apaga!

 

Na cela, não há mais movimento. Observo do lago.

Ele não deve estar mais lá.

É o melhor para nos, principalmente, para ele.

Para eles, pois não assimilo símbolos.

Ha missões e missões, há o “Tempo”... E na Luz, no Ar e na Água, saberei manter a vida que Sou e trago em mim, e comigo, meu sentimento.

Desperto, pois sinto, todos aqueles longos momentos em que me sentia distante, sem sintonia, estava na verdade distante do que Sou. O que Sou, diante do sentimento, por ele, por meu irmão, meu primo e minha casa.

A minha verdade como Luz, ar e água.

Há uma verdade contida no Plano e no Tratado, símbolos, e por não entender, ou sequer compreender; não compactuo.

Faça tua parte Arqueiro, que, onde eu estiver, sentirei o mesmo sentimento que nos uniu.

 

Saio da água em profundo agradecimento.

Sigo para cela, sentindo a imensidão do meu sentimento.

Tudo quieto, ele não mais está, entro e começo a pentear meu cabelo.

Então, vejo seu manto na cadeira, meu olhar lentamente segue para sala de descanso e recai no Homem, sentado à olhar-me. O ar serio e sentido, olhar que busca um compactuar. Tenta manter uma serenidade, a mim é visível que não consegue. Coloca a mão nos lábios, sim, teríamos tanto a falar, porém, não posso usar palavras que, por não entender missões, vão de encontro a vocês.

Ele observa-me e um suave vento trás as flores flocos pela janela.

O belo Arqueiro em meio a uma agonia, não consegue captar meu sentir. Não ha palavras, elas ficaram lá trás, tens missão. Como a minha verdade, sentimento, a verdade, também, está ali, com os quatro. Está no Som do Tratado.

E num gesto rápido, ergue-se.

- Para onde gostaria de ser remanejada? Fica aqui, e cada vez que estiver para chegar, avisarei.

Sai da sala de descanso, pega o manto e sai.

 

Lá fora, Anches me espera, sinto que, também, irá partir.

- Foi a decisão mais sábia, aqui você está adaptada.

Fico sereno com isto. Compreenda, agora a situação tornou-se: inesperada.

Abraço meu irmão.

 

Anches retorna ao Vale.

Na Terra há Regência Vermelha...Tal como ficou o Reino de Cristal: vermelha.

Recomeço a estudar o Tratado.

Em mim, começa a chegar o entendimento, de uma forma bonita. Provavelmente de forma diferente, dos que vivenciaram Tudo aquilo.

A sabedoria do Conselho é palpável, e o já existente respeito e amor por Eles, tornou-se imenso. O Tratado está escrito na Razão Maior que é movida por puro sentimento amor, e Ela esta o campo das possibilidades...Começo a compreender.

 

Ele fez o que prometeu, sempre avisava quando viria.

Como se fosse necessário, eu simplesmente sentia.

Embora aprendera a segurar meu coração.

Algumas vezes, o Senhor o encontrava na caixa de Luz.

Noutras ele descia e iam a Esther.

Nestas ocasiões eu saia e seguia para o lugar onde via o Reino.

Todo o amor pelo meu povo que ali estava. Por momentos vinha como uma vontade de correr ate Lá. Onde sabia: Não, trazendo o que sentira: dor. E água salgada, o que para Eles era totalmente desconhecido.

Só com o total Regresso, aí sim, poderíamos falar a história, que Eles mantinham para o brilhante final.

Outras vezes o Arqueiro chegava e eu ficava na cela. Ficava um “Tempo” com o Senhor.

 

E da janela da cela vi a caixa de Luz, aterrissar.

A escotilha é aberta, o Arqueiro, seu manto. Pisa no Lugar-Sagrado, o Senhor o abraça. Encosto a face na janela.

Alguém mais desce.

E eu estou a olhar o Arqueiro. Como segurar algo tão forte? Qual vida que sou!

Encosto o rosto na janela, e com a mão direita, pressiono meu coração: cala-te, aquieta-te.