História Encantada

Lugar Sagrado

Nele, os que estão no Tratado, o Tratado ditado na Razão Sentimento.
Na história, para muitos isto era novo, o Povo Sentimento tendo que ter a Razão Maior.
A Razão dos Senhores.

Novo para os mais novos, Lá, o Som do Tratado é ouvido por todo: os que viram, ou que participaram do que ocorreu no Reino Cristal.
Os que tinham laços e conseqüente Missão seguiram para o Lugar- Sagrado depois da comemoração, sob o comando do Senhor do Portal.

Olhando o Reino, senti, como muitos: algo mudou, ali: meu Lar.
Existia dentro de mim como que dois caminhos, um em meu Lar, onde há espera, mas me perguntava, como esperar tendo visto o que o que vi? Compreendia agora as Palavras do meu Pai.

O Reino, separado do Lugar-Sagrado - pois mantinha em energia viva, constante: a certeza do Regresso de todos os que seguiam em Missão.
No Reino, mantinham-se na alegria e sentindo no agora: o Regresso.

Porém, como? Se ví?! Como Sentindo o que Sinto por Ele, e Ele seguirá em Missão.

Não poderia manter a alegria, onde ví no olhar de muitos algo até então não visto. Como podería manter alegria?
Compreendia agora, o olhar do meu Pai, alí no Conselho.


No silêncio da alameda, Sua chegada junto a mim, no Seu coração, Ele sabia, eu não.
Olhei-O... O amor transbordava.

Reger um Reino, Pai, a responsabilidade.
De si para consigo e para com Todos do Reino.
Não tenho palavras, elas me são novas, diante de tudo o que vi e agora sinto. Porém, sabias.

E com o olhar, passava-me: sabia.
Pai, Tua sabedoria discernimento, onde, pela harmonia, entra na permanência do puro sentimento, mantendo o Regresso.

Tantas coisas passam no meu coração, o amor a meu Pai, a minha Mãe, ao meu Lar! Isto é um fato! Como foi o que vi.
Sinto-me dividida, não pelo amor, e sim, pelo que vi e me faz sentir.
Ele, simplesmente me abraçou com força e encostei o rosto em sua fortaleza, ficamos assim.

Alí com Ele, reví, de forma segura, tudo que vi e meu coração se abrandou.
E, quando as palavras me vieram aos lábios, Ele ergueu meu rosto e com os dedos silenciou-as e falou pleno de sentimento e força, embora no seu olhar...

- Não fale, siga.
Aqui estaremos na espera e enviando sentimento, mantendo a Luz acesa: o mapa de regresso ao Lar.
Siga, embora não estivesse nos planos, nos meus, evidentemente, pois no momentum que apareceu no Conselho: entrou no Tratado.
Siga filha minha, Amor-Amor-Amor.

Pai, meu amado Pai.
Em verdade, não há palavras, passo a Ti: AMOR! , passe a Todos por mim.

Seguí por onde meu Pai indicou.
Senti que arrebentou, dentro de mim, algo tão profundo, que só depois descobri o nome: Saudade.

Andando pelas alamedas desertas, todos descansavam, tocando o conhecido... ainda hoje a imagem daquele momentum está comigo. No bosque corri e ao chegar ao rio, parei.

A divisória entre o Lugar-Sagrado e o Reino.
Colocar os pés na água transparente, transparente para todos, para mim: o desconhecido.
Atravessei-o correndo.

Correndo de que Mayara? Há como voltar?
Rumei às montanhas, ao Lugar-Sagrado.

O coração, agora pulsa tanto que seu som é tão ouvido quanto meus passos nas folhagens.
Num momento parei, bem à frente, eu senti a entrada do Lugar- Sagrado.
Paredes de pedras, como um túnel à céu aberto.

Virei...dalí via meu Reino, lá embaixo sua beleza exalada, pairando por cima dele, o ar, tão conhecido amo-te Reino.
Saudei-o com o mais profundo amor.

Pelo meu coração passaram as imagens de Todos.
Amo-os, até o Regresso.

Caminhava agora devagar, pelas altas paredes naturais de pedras...longo túnel.
No final do túnel, degraus e abaixo, a relva verde e um lago formado pelas águas que saiam das montanhas e uma bonita construção com forma triangular-estelar e desci a escadaria de pedras.
Tudo quieto, como minha saída do Reino.
A escada de pedras ia dar no lago e ao seu redor, lajedos verdes brilhantes.
Água clara-cristalina...Reino das Águas.

Chego perto, vejo minha imagem, as flores no cabelo, a roupa da comemoração.

Aqui estou e encostado numa arvore vejo o Arqueiro a conversar com o Senhor do Portal.
Não me movi, só fiquei ali, a olhar Seu cabelo ao vento suave, Seu manto, representando Sua casa, o belo Arqueiro.

Alí, deparava-me com uma verdade sentida: como um sentimento é tão pleno!!!
O fato de vê-Lo fazia meu coração exalar uma energia ampla e real, a ponto de poder “tocá-la”.
Sim, era novo para mim, porém, a pura verdade.

O Senhor do Portal, que falava com Ele, parou e sorriu, com uma suavidade de “quem sabe”.
Foi neste momento que o Arqueiro virou-Se.

Seu olhar era de surpresa, e Ergueu-se.
Não consiguí me mover.

- O que faz aqui?!!! - O som forte das palavras, vindo em minha direção.

O Senhor o segue.

- Eu vim.

Se aproxima.

- Não pode ficar, compreende? Não pode ficar.

Minha expressão é de puro espanto: - Como não?!!! Eu cheguei, eu vim. – respondo.

- Sim, mas não pode ficar.

Seu olhar é duro como os arcos.
Não vacilo, o Senhor do Portal sorri.

-Sim Senhor, meu Pai sabe, como o Senhor sabe, o que ainda não sei. O Arqueiro se volta ao Senhor.

- Ela não pode, não faz parte, não está no Tratado, e o Senhor, como Senhor do Lugar, mande-a retornar a seu Reino.

O Grande Senhor passa por Ele, chegando mais próximo a mim e fala olhando-me, mas Suas palavras são para Ele.

- No momentum que Ela assistiu e que foi ao Conselho, no Som ficou registrado: Ela faz parte.

Ele toca o ombro do Senhor do Portal.

- Senhor...está Dito: Eu respondo por Ela.

Ele sorri, em Seu olhar, a sabedoria: - Sim, responde e responder, porém pergunte à ela por que veio.

O Arqueiro fala sem me olhar: - Por que veio?

- Como poderia ficar? Como? Não Sou mais quem eu era, embora continue sendo. O que ví, o que sentí, tudo modificou, pensei ter dois caminhos e no momento em que pensei, senti: só existe um.

O Arqueiro ficou atordoado, como eu mesma fiquei, quando ainda pensava ter dois caminhos.

- Te peço Senhor, mande-a de volta.

O Senhor balança a cabeça: - Não posso.

- Ela não sabe de nada! Não sabe o que vem, o que será e como será.

- Entenda, embora não saiba, seu coração decidiu e não posso ir de encontro.

- Se o Senhor não pode, eu irei. - e dirigisse a mim : Volte, aqui não há nada que te diga respeito, aquí e na nova Terra, são lugares desconhecidos teus. Haverá muitas ocorrências que não podes pesar, aqui estão os que têm missão e não têm nada a ver contigo.

Suas palavras ardiam, batiam em mim como a névoa.

- Fale-me, olhando nos meus olhos – continuo - Eu também não deveria estar no teu Reino e fui, por quê? Sinto muito, eu fui, eu vim e cá estou.

Ele ouvindo, contudo Seu olhar não é mantido, olha-me e desvia o olhar.

- Eu repito: isto nada tem a ver contigo, teu Reino cedeu o Lugar- Sagrado, por sentimento-harmonia. Aqui estão alguns dos Teus, que conscientes descerão em missão. Teu reino nos manterá no sentimento do amor-regresso, os que aqui ficarem nos manterão com energia direcionada, vendo o que em Teu Reino não se verá, para manter: alegria e harmonia. Portanto, volte!

O Grande Senhor toca-Lhe a face.

- Pela Verdade do que somos Todos nós, fale-lhe, olhando nos olhos, como ela mesma pede, fale-lhe!

O tom de voz é de comando.

- Perdoa, Senhor, isto não vem ao caso.

- Como não? Já não ocorreu a Interligação?!
Não precisa responder, Eu sei, Ela poderá até volta, se, eu falo: se seu coração mandar.
Portanto, fale-lhe frente à frente, olhos nos olhos.

Ergo o rosto, bem à Sua frente, Ele franze as sobrancelhas, resiste.

- Fale Arqueiro, Palavras, olhando-me, não foi fácil chegar até aqui, não sei o que me espera, simplesmente segui meu coração.

Seu olhar vai para o Senhor, para o lago e suas águas.
E por fim, olha-me e Seu olhar é um olhar diferente.

- Volte ...por favor, volte, não quero que sintas dor, só quero te poupar de tudo o que vem, fique no Reino e espere.

O Senhor se adianta.

- Tu falas com a razão da missão, porém, o teu coração é sentimento.
Dou-te um momento para refletir e pesar razão e sentimento.
Seja bem-vinda filha, siga-me.


Sigo o Senhor do Portal.
Observo o lugar: é bonito.
Há o verde, as flores, uma extensão do Reino.
O som da Água no Lago.
Entramos na construção que o Senhor diz se chamar Esther.

É uma forma imponente e simples, feita de cristal onde a claridade penetra em todo ambiente, há flores em todos os recantos.
Assentos dão para frente de três pontos, seguidos de certa distancia.

Ao lado esquerdo da entrada há água cristalina que sai da construção formando uma espécie de grande lavabo de faces, e a frente, um cristal-tela que o Senhor diz ser “a Pedra”.
À direita, Luz acesa numa lamparina.
Todos os assentos, dão para estes pontos.

Do lado direito, antes da lamparina, um arco que dá para outro ambiente.
Antes do arco de abertura: uma harpa com filamentos de neon-cristal e um órgão, com os mesmos filamentos.

O perfume das flores é sentido em todo ambiente.
Ele acena para entrarmos através do arco, que dá em uma grande sala como as salas de conversações.
Atravessamos, passamos por outro arco que dá num corredor e seguimos por ele.
Ele abre a segunda porta.
É uma cela, florida cela e vejo as flores da alameda do Reino.
Entro, tem uma janela que dá para todo Lugar-Sagrado, vê-se o lago, o campo florido, e o Arqueiro, que permanece onde o deixamos.

Volto, é agradável a cela, o ar é conhecido.
Alguns objetos são desconhecidos, há um assento ligado a uma mesa de estudos, em cima dela, folhas com desenhos que não conheço, lembram os que aparecem no cristal tela, das “caixas de luz”, quando queremos nos guiar.

Dois confortáveis assentos e outro ambiente separado.
Deve ser o lugar de descanso. - pensei.
Volto-me para a janela, o Arqueiro.

- É aqui que ficarei?

Pergunto o que já sei ao Senhor, que simplesmente sorri.

- Vá conversar com Ele.

Muitas coisas não sabemos ao certo, alí no Conselho: O Tratado.

Ali sabíamos, como sabemos o Tratado e o Regresso e que aqui estando, terás que estudá-Lo.

A partir do que foi o Conselho para fechar Tratado, seu Pai ficará no Reino, para manter a certeza do Regresso em energia, harmonia, alegria

Eu fico aqui, para manter em energia o que é visto pela Pedra para manutenção do propósito do Lugar-Sagrado.

Na nova terra, Terra, um Vale, parecido com o daqui, outro Senhor mantém os que ali chegam e chegarão, os que exemplificarão e os guardiões.

E os dez - Estes, sim, terão acesso a tudo.

Até o momentum em que todos os que aqui estão terão que descer.

Muitas perguntas não saberei responder.

Vá e ouça o que Ele, realmente tem a te falar.

Inclino-me em saudação e sigo ao encontro do Arqueiro, Seu semblante é de reflexão.
Seu olhar expressa sentimento.

- Eu sei, meu coração a chama, porém, a razão do Tratado faz com que Te peça: vá, é árduo.

Meu olhar se perde dentro do olhar Dele, é um contínuo chamado, desde que nossos olhares se encontraram, clamamos um pelo outro.

- Teu coração não me pede.

Ele sorri.

- Somos um Povo sentimento-coração e pelo que somos, nos abrimos até mesmo, aos magos negros, e deu no que deu! Vieram medos, temores, perdas, e não quero que sintas isto.

- Não conheço isto de que me falas, são palavras novas, só te falo o que sinto.

Ele dá um passo, aproxima-se de mim.

- Está no Tratado! Há missão.

- O Senhor do Portal me ensinará o Tratado.

- Pela Luz! não quero que sintas dor! E estando aqui de alguma maneira, sei que sentirás! É por Tí, compreenda-me! Como fazer-te compreender o que não sabes?!!!

Olho bem dentro de Seus olhos, e é tão profunda sua agonia quanto o seu chamado.

- Então, passe-me em Palavras, e se nada sair do Teu coração, partirei!

Ele, que mantinha o olhar, fecha os olhos respirando profundamente, e de repente, nenhuma energia é mais compactuada... que estranho sentir, abre os olhos e com a voz forte:

- Siga para Teu Reino, aqui nada há para Ti.

Eu sinto atravessar em mim as palavras.
Procuro o ar conhecido... não há.
Passo a mão no coração, e só sinto o Vazio... um enorme Vazio.

Detenho-me no sério e severo olhar, ordenando-me sem qualquer sentimento.
Atenta, busco o comungar olhando-o: Nada!

Foi engano? não, não foi!
Porém, não é tão forte e abrangente o Teu sentimento.

Não vem palavras em mim, o vento move seus longos cabelos negros e o intenso olhar permanece.
Atordoada inclino-me diante do alto Arqueiro, retiro uma flor do meu cabelo e coloco-a em Sua mão que fica estendida, sem expressão.

- Que o zelo fique em Ti, que cumpras Tua missão, salve!

E vejo a rigidez de um Homem que sopra a flor.
Compreendo o gesto, meu coração estremece.

Volto-me, na janela está o Senhor do Portal, faço a saudação, Ele responde de longe, e encaminho-me aos lajedos ao redor do lago.

Mal consigo subir as escadas, um enorme vazio se apodera de mim, e sigo lentamente pelas paredes de pedra.

O túnel parece não ter fim, o que segui?
Meu coração, só meu coração. E por tê-lo seguido, houve interligação?

Porém, Mayara, foi teu coração, e um forte Arqueiro que irá em missão, um Arqueiro que atingiu-me bem aqui, no meu coração.

Sinto um cansaço.
Sem energia sento na relva florida, as altas montanhas ficaram atrás.
Vejo meu Reino lá.

E o Homem que reina no meu coração ficou lá atrás.

Como foi comungado, e não é mais? Não me enganei, senti o chamado Dele, passageiro deve ser, mas não em mim, pois o que sinto está aqui, no meu coração como uma bela canção, a mais forte e intensa energia que já senti.

Para Ele deve ter sido passageiro, Luz! Como isso tudo é desconhecido!

Tenho que me refazer, ligar-me às flores flocos, logo me recuperarei e chegarei ao Reino, mas, não mais a mesma, a sabedoria madura não está instalada em mim.

Respiro, tenho que ter energia...Levanta, Mayara e siga para o Lar.
Necessito de energia-força.

Eu não a tenho, e isto é novo, respiro fundo...poderia entoar por meu Pai.
Não, sozinha como fui, terei que retornar.

O ar levanta as flores flocos que voam...

Mais adiante o rio, não falta muito para chegar até ele, atravessá-lo e chegar ao Lar, mas ainda não tenho energia, estou num estado de letargia, como tudo pode ser mudado tão rápido?

Não, não em mim!

Necessito repor energia para chegar e chegar bem.

O ar faz as flores como flocos voarem, algumas tocam-me.
Fecho os olhos, meu coração sente um leve pulsar.

Chegue energia, tenho que retornar ao Lar antes que Todos saiam do descanso, não posso passar esta energia a Eles.
Tenho que me harmonizar novamente... sorrio, salve energia!

Respiro o ar, ainda sentada.
Sim, está chegando energia viva e meu coração pulsa forte.

Vejo alguém correndo saindo do túnel, correndo, com o arco nas costas, cabelo ao vento... É o Arqueiro.
Deve ter vindo verificar se cheguei ao Reino.
Não, Arqueiro, não preciso de ajuda, fica sereno, eu chegarei.
Ele é rápido, corre na relva, salta os arbustos.

Sorrio: é mesmo um Arqueiro, está quase no rio.

As flores voam, cena bela está.
A alguns passos do rio, Ele olha em volta, porém Ele não pode mais atravessar, não mais.

O grito forte: - MAYARA!

Parece um chamado, eu sinto a energia, sem parar Ele grita novamente meu nome e olha em volta e como Arqueiro, segue a mira, grita meu nome num tom forte.
Seu olhar atinge o alvo.
Olhar mantido, vem correndo em minha direção.

Em pé, à minha frente, retira o arco, jogando-o na relva.

- Perdoa-me, peguei tua energia.

Olho-o sem compreender.

- Por que?

Seu olhar, têm o conhecido chamado.

- Como deixá-la partir?!!!

Por mais que tenha aprendido a razão, sou coração e meu coração pulsa por ti.