História Encantada

Irmãos Índios

 

Os grandes pássaros alados.

Reverencia a um povo oculto.

Estando à vista, nem por isso visto.

 

 

 

Observo o Lugar Sagrado, onde tudo me é conhecido. Respiro o ar, o perfume das flores. O lago, sua Água e a cascata. Onde foram feitos Tratos e Selos, Tratados selados... Lembrava-os.

E o Lugar-Sagrado: ficara vazio.

Passa por mim tantos momentos ali vividos.

Os últimos a descer a Terra.

- Continue, continue! A voz do Tutor, no presente.

A relva verde. Luz! Amo este lugar.

Não teria “tempo” para estar com a Senhora; Ela não estava mais na Ilha, Ela está no Sul da nova Terra, como alguns dos nossos, como Miriam, eu não estaria com Ela.

Entro em Esther, o Senhor mandou-me fazer o Ritual.

Florida, como sempre... Quem colocará as flores, se ficará Tudo vazio?

Faya o faria?

Sentir o lajedo de Esther me traz bem-estar. O coração aperta... Como será estar na Terra?

Lembro das palavras do Senhor:

- Na sua adaptação, o respeito é vital.

Em Esther faço o Ritual.

Lá fora, só o movimento do Grande Homem da Constelação.

Sinto o que sentia quando todos iam, só que agora, ao andar por tudo aqui... É como me despedir, por um “longo tempo”. Dentro de mim as palavras do Senhor sobre a estadia na Terra, por mais que me coloque perto, é aqui, no Lugar-Sagrado, que tenho ação; e lá logo estarei. Sem estar com a Senhora.

Sim, o coração aperta, Terra, um lugar onde vi a grandeza do povo em ação, lugar florido. Diferente do Reino, onde a Harmonia faz parte: É.

Aqui, vivi momentos onde minha compreensão, aos poucos, alcançava o modo para compreender o Plano... Muitas vezes, sem entender sua ampla extensão e os meios, dentro da Lei, para se chegar a Harmonia, já que aqui Ela é permanente.

Chegar para estar, entrar para Estar. No Reino vivemos, sempre, o estar.

Não compreendia o chegar-entrar, o chegar envolve tantas coisas.

Andando pelo Lugar-Sagrado, sentindo sua totalidade, e logo sairia dele como saí do Reino, o sentimento permanece, porém, sairia para chegar-entrar em outro lugar, e ao chegar neste lugar, estar.

A sabedoria do Conselho dos 12 que redigiu o Tratado é tão grande que, muitas vezes me perco.

Aqui, dentro da Lei ha ação, sempre que é infringida, de imediato, é reparada.

E lá, é diferente. Há o longo “tempo”, as Leis, a roda do circulo... O esquecimento.

Mesmo indo acordada, ainda assim o sair para lá chegar, faz meu coração ficar apertado.

A vontade é estar com o Senhor, aqui e agora.

O Senhor teria uma resposta para mim, embora tenha me dito que não tinha respostas a Tudo, para mim, o Senhor as tem, pela sua grande sabedoria.

Inclino-me em reverência e amor a ti, Senhor, a viva lembrança de tudo que me ensinou e sempre me ensinará.

Sorrio ao lembrar seu sorriso, de quem já sabe o que ainda não sei.

E o coração aperta. Fiz o que o Senhor mando-me fazer em Esther. Andar e ver tudo vazio dá um vazio. Não é agradável sentir isso.

Andar pelo Lugar-Sagrado, vazio. Onde estavam?

- Para onde você foi? Siga o Comando da minha voz!

O Som de Comando. Teria o aprendizado com Alguém.

Onde estavam?

- Para onde você foi, Mayara?

Eu?!!!

Fiz o que me mandará fazer em Esther.

Foi nossa ultima conversa, não foi?!!!

O que o Senhor mandou-me fazer em Esther, o que mandou-me guardar e na Luz queimar... Foi nossa ultima conversa, Tutor?

- Sinta o Som, siga o Som; para onde você foi?

O Grande Homem da Constelação me esperava, e eu andava no Lugar-Sagrado.

Como que guardando aquele momento, como tinham sido todos, quando Alguém descia.

Entrei na caixa de Luz, olhando o Lugar-Sagrado com respeito e amor. Iria a um lugar para adaptar-me e aprender.

Cruzamos o céu com segurança, o Grande Homem da Constelação estava ali.

Lembro, eu lembro que passamos pela formação que o Senhor me mostrou nas folhas de estudo.

A formação estelar triangular, ao passarmos por ela já era visível: Terra. E entramos em Seu espaço!

Não saí do cristal lateral, onde vi... Noite!

Noite... Lua, só uma.

Sobrevoávamos Terra, seguindo para o norte.

Norte o novo continente, a Senhora da Terra estava no Sul do novo continente e Miriam, também.

Olhava tamanha beleza, noite e uma Lua só.

Água parecia familiar, muita água. E só uma Lua.

A caixa desce mais e mais. Logo estaria ali.

Não era como ver da Pedra. É estar ali, bem ali.

Altas montanhas: sobrevoávamos.

O escuro da noite, com uma só Lua, não me deixava ver bem o lugar.

O coração pulsa, pulsa tanto.

Olho para o Grande Homem da Constelação.

Por mais que sinta, não encontro palavras para o que vejo: Terra.

Logo estarei ali. O Grande Homem da Constelação toca minha mão, abre um sorriso e fala:

- Mayara, ali aprenderá as Leis da Senhora da Terra. Sorva todo o aprendizado. E, no tempo certo, viremos te pegar.

Em mim, um misto, como dois caminhos. Quero ficar com os que conheço e sei que tenho que ali, bem ali estar, estarei “só” ?!

Não, eu não estarei “só”.

O estar “só” é ilusão, mesmo da Pedra, via que aparentemente estavam “sós”, porém, a energia Luz-sentimento: une.

- É “tempo”, sabes que é necessário.

Fala Alguém pelo teclado, Alguém do Comando.

Sim, eu sinto, é Tempo.

A caixa de Luz desce rapidamente na montanha, as caixas sempre foram rápidas, mas, agora parecia mais rápida.

Aterrissamos, chegamos... Respiro fundo.

O Grande Homem da Constelação toca a tecla, avisando que aterrissamos, abre a escotilha e salta.

A voz de Alguém do Comando:

- Dentro do Tempo certo, viremos te pegar.

Suspiro, tocando o teclado, querendo em parte ficar.

Respiro: - é Tempo.

Do lado de fora da caixa o Grande Homem da Constelação estende a mão, claro que ele sabe o que se passa em mim, porém, não há palavras, ele tenta a sintonia. Seguro sua mão tremendo: pisar, pisar. Salve!

Fecho os olhos, a forte e segura mão me dá força, e desço, prendendo a respiração.

Piso, abro os olhos, piso, bato com o pé na terra, nada, é igual!

O Grande Homem da Constelação contém seu riso.

- O que pensou que aconteceria?

Olho para ele, não sei, pensei sentir dor.

Alívio, pisava de mão dada a ele.

- Coloque algo em palavras, Mayara. Sei que sente muitas coisas ao mesmo tempo.

- Não, o Senhor do Portal, me ensinou a ter o respeito, não tenho palavras. Dentro de mim, dois caminhos, onde só tenho um.

Ele aperta minha mão. Estávamos no topo da montanha.

A lua, só uma, clareava e podia ver melhor. Lá embaixo o fogo... Vários fogos e aquilo que pareciam ser celas triangulares, só que espalhadas.

Um rio passa bem perto de onde estão as celas espalhadas e os fogos.

- Vamos, Mayara.

Segui, a mão segura me guiava. Olhava e olhava, descíamos a montanha.

A bonita claridade da lua, só uma, eu via o verde e flores, diferentes, porém, eram flores.

E descíamos, à frente o Grande Homem da Constelação que conhece o caminho, o vento sopra seus longos cabelos. Tudo te é conhecido.

Ele vira-se sorrindo: - Sim, é.

No nível do plano horizontal, parei, toco uma folhagem: Textura igual! Textura igual, a mesma essência!

Olho em torno, a mesma essência está em tudo! A mesma essência em tudo. Expressa, amostra e palpável.

E por que colocam a Luz, tão distante?

Puxo o ar, o cheiro do fogo, vem das árvores que queimam em alguns pontos: árvores-fogo?

- Não, Mayara, fazem o fogo com as árvores, chamadas: madeira.

Seu semblante é de divertimento com minha expressão.

Das árvores fazem o fogo, das árvores?!

Seguimos, pisávamos na relva, seguíamos para o lugar das celas espalhadas. Estávamos chegando, ele pára.

- Mayara, adapte-se e aprende as Leis da Senhora. Ouça tudo o que o Senhor Ancião te falar e demonstrar, compreende-me?

Olhando para ele: - Sim.

- No Tempo certo virei te pegar.

- Como saberei o Tempo certo?

Ele sorri:

- Sentirá e conseqüentemente, saberá.

Coloca o braço sobre meu ombro e toca meu rosto.

- Aprenda, vivencie. Há beleza em tudo, como você ainda pouco sentiu e agora me abrace.

Um som, ele vira-se, de uma cela sai um senhor, que vem em nossa direção.

Seus cabelos são longos e brancos, veste estranha, usa parte inferior da vestimenta, por cima, na área coração, algo o cobre e, no peito, vários ornamentos como fazemos com as flores. Segura a veste superior com uma mão e com a outra bate no peito e estende o braço:

- Salve Grande Homem da Constelação!

O Grande Homem da Constelação faz o mesmo gesto e o senhor se aproxima e o abraça. Salve, falo baixinho, ele me olha e diz:

- Salve, Filha da Estrela!

Este seria meu novo nome.

Acompanhamos o senhor ancião até sua cela, passamos pelo fogo- árvore-madeira, já ia saudá-lo quando o Grande Homem da Constelação aperta minha mão, sigo puxada por ele virando-me para ver o fogo.

O Senhor descobre uma parte da cela, entramos e a toco. De que é feita?

A forma da cela é triangular, árvore-madeira dá a forma que é coberta por... Não conheço. Tudo que vira da Pedra, nada era igual ao que via.

Sentam na relva, sou puxada e sento-me, não é relva. É macio como sentar na relva, mas não é relva.

Eles conversam e eu observo em volta, o fogo-árvore-madeira está ali, o fogo é igual ao nosso, seu tom azul, porém, do que é feito é diferente.

Pela abertura da cela vem, lá de fora, um ser diferente, vem em nossa direção, um ser que emite um som: desconheço.

Precipito-me para cima do Grande Homem da Constelação, que interrompe as palavras, abraça-me. O Senhor Ancião faz um som e o ser se aproxima.

Por entre os braços do Grande Homem da Constelação ele passa-me:

- Serenai, é um animal dócil, é um cão.

Ele perto de nos, me encolho, o Grande Homem da Constelação estende a mão a ele, que a lambe, ele é cinza e branco, todo peludo. Estendo a mão também, ele cheira e a lambe, é bom.

- Como vê Filha da Estrela, é bem vinda.

Saúdo a ele também. Fico a tocá-lo, ele se deita e coloca seu rosto macio no meu colo, acaricio-o. Seu olhar é de carinho.

Estranho, algumas coisas, mas, bonitas e sensíveis.

O Senhor Ancião levanta-se, o Grande Homem da Constelação também e eu como segurava sua mão, também.

- É tempo Mayara , tenho que seguir.

Grande Homem da Constelação... Não vá, ainda não.

Ele olha para o Senhor Ancião, que fala:

- Ela ficará bem, vá.

Ao falar isto, o Senhor Ancião sai da cela.

Não vá, ainda não.

- Mayara, de onde estivermos: estaremos a te ver. Excede, a te sentir, sabes disto. Tenho que partir, a tua adaptação.

Interrompo-o: sei que é minha.

Toca meu rosto: - No Tempo certo.

Eu sei... Segue com a Luz.

- Fica com a tua Luz, sempre Luz.

O Abraço tão forte, o Grande Homem da Constelação.

O tempo... Com o olhar passa-me para ali ficar, abre a cobertura de entrada. Em mim: dois caminhos, dois caminhos.

Olha-me, e abaixa a cobertura, fica sua mão na minha... Falam lá fora.

Ele aperta forte minha mão, passa-me, solta. Lá fora, o Senhor lhe diz:

- Segue em paz, sem preocupação, ela ficará bem, te dei minha palavra.

Luz, Mayara, Luz! E que a Graça sustente-me. No Tempo certo, virão me buscar.

O tempo, sento-me junto ao ser.

O tempo, eu sinto, partiu, a caixa de luz, partiu.

O tempo, o Senhor abre a entrada da cela, entra silencioso e toca meu cabelo. Senta-se à minha frente puxando uma caixa e retira algo de dentro dela entregando-me, diz ser minhas vestes e meus sapatos. Observo seus olhos, são totalmente conhecidos.

Fala que toda tribo sabia que eu chegaria, trazida pelo Grande Homem da Constelação.

Digo-lhe que sinto que será ele meu instrutor, e fico agradecida.

Ele vai junto ao fogo, coloca mais árvore-madeira.

- Fogo, fogo a ti saúdo...

Ele me interrompe sério, fala-me que só devo saudar quando sentir a certeza de que o que saúdo é puro.

Sem compreendê-lo pergunto se o fogo aqui não é puro.

- Somente aquilo que for, o fogo aqui é usado para muitos propósitos, verás. Se não estarás enviando energia, fortalecendo o que não é para ser fortalecido.

Manda-me trocar de vestes, diz que cheguei na Lua cheia e isto é um bom sinal para a tribo.

Ao sair acaricia Olhos de Águia dizendo que ele me adotou, pois não se chega a muitos.

Toco o rosto de Olhos de Águia e pego a veste, coloco-a, textura diferente. Passo a mão, ela vai até os joelhos. Os sapatos: não consigo... Incomoda. Coloco minhas vestes na caixa de árvore-madeira.

O Senhor mandara eu descansar, sento-me junto a Olhos de Águia, afasto a cobertura da cela.

Vejo as estrelas... Lá está meu lar.

A Lua, lua cheia, só uma, aos poucos vai sumindo da minha visão, vai se indo.

A escuridão vai clareando com rajadas de tom avermelhado. É muito bonito, é muito bonita a Terra.

Sons, vários sons, sei: são os pássaros!

São os pássaros!

E surge o Sol... Lindo! Só um, porém, isto eu sabia e já tinha visto.

Surge majestoso: Te saúdo!

Em cima das montanhas há névoa. Sim, há névoa!

Estamos entre as montanhas e o rio, suas águas brilham. O verde é quase constante. Árvores, há bastante. Na relva, flores!

Vários sons, saindo das celas seres, muitos seres. Há crianças e muito movimento lá fora.

Homens e mulheres têm os cabelos longos como os nossos, porém, as mulheres os prendem de forma bela.

O Senhor Ancião sai de uma cela com outro ancião e se reúnem, sinto que falam da minha chegada. Olham para cela que estou.

O vento trás um cheiro que vem do fogo-árvore-madeira.

O Senhor Ancião vem onde estou e me diz para ir lá fora, olha minhas vestes, não uso sapatos.

Saímos, é bom sentir a relva, Olhos de Águia nos acompanha.

Estão sentados perto do fogo, falam ao mesmo tempo, nos aproximamos e sento-me onde o Senhor manda.

O outro Senhor faz uma saudação.

- Que tua chegada, Filha da Estrela, traga a todos: benções e paz.

Agradeço, olhando em volta, seres exatamente iguais a nos, uma anciã senhora me olha com carinho, uma jovem bela junto à ela. Atrás, alguns homens em pé, um forte e bonito chama minha atenção, com os cabelos negros e lisos, abaixo dos ombros, tem algo preso ao cabelo. Seu olhar é intenso e sério, não gosta de me ver aqui?!

Três luas se passam, três luas permaneço na cela: aclimatação.

A senhora anciã cuida disto com sabedoria, me traz água para beber e água com ervas também para beber e banhar-me, o perfume é bom.

A Senhora Anciã me explica, com sua sabedoria, que colhe dali, do lugar, as ervas com a raiz para beber e banhar-me.

Assim, aterro-me e, junto com a pura água, aclimato-me.

A Lua não é mais tão redonda, o fogo madeira chispa... Não posso saudá-lo ate aprender.

Entra o Senhor e saúdo-o, ele pergunta-me:

- Confusa?

Confusa é quando não sabemos ao certo o que fazer.

- Já não me sinto assim. Sinto vontade em compreender algumas coisas, como o fogo. Não posso saudá-lo. Ele cozinha ervas para me aclimatar, como não agradecê-lo? Como também, o Senhor falou ao Grande Homem da Constelação que ele seguisse sem preocupação...

- Preocupação, é quando ocupamos a mente com coisas antes do Tempo, antecipamos o tempo e sentimos seu decorrer, antes de ocorrer. Ele se preocupou por deixá-la num lugar novo para você, eu o tranqüilizei, pois afirmei que cuidaria de você. Com toda certeza ele quis ouvir de mim a palavra. Quanto ao fogo, você compreenderá, como o próprio tempo, chegas-te em meio às flores, o frio inverno se foi.

Lembrei-me do Tempo de Arthur, da neve.

Na manhã seguinte sai e fui ao rio, banhei-me com as crianças.

Tocava a água, a textura igual, exatamente igual! A Essência está em Tudo!

Aí, compreendi que os que renascem, esquecem: a essência que está em tudo, e a colocam num plano tão distante.

Olhos de Águia ficara na margem, e, ao sair do banho ouvi Milho Amarelo dizer que eu colocara feitiço nele. Foi repreendida pelo Senhor.

Feitiço, qual os magos fizeram. Era estranho não perceberem minhas verdades, embora fossem tão verdadeiros, a ponto de tais palavras!

Aprendi que alguns eram, desconfiados. Isso fazia parte de sua segurança.

Na verdade, falou o Senhor Ancião, que o “normal” é estar alerta, ou seja, estar atento, ao que ocorre. Estar consciente.

O Sol se “pôs” na montanha e a noite chegou.

A Senhora anciã chamou-me, ao redor da fogueira comiam.

Deram-me algo que coloquei na boca, ia de um lado a outro, até que, por fim engoli, não ficou muito tempo dentro de mim, corri ao rio e saiu o que tinha ingerido.

Perguntei ao Senhor o que era. Ele me respondeu ser carne de búfalo... Carne? Novamente corri ao rio.

O Senhor chegou-se a mim, tocou meu braço e disse que, ao amanhecer, eu iria ver os homens caçar.

Ali ouvi as histórias da tribo, me aclimatava.

Ouvi que os homens brancos destroem a natureza e as tribos.

Perguntava-me: por que?

Seria a guerra como de Arthur?

O bonito Homem, com cabelos negros, disse ter visto alguns brancos em um lugar que não compreendia, provavelmente perto.

Ficaram todos calados, até que o outro Senhor comunicou que logo partiríamos.

Ouvi: as histórias dos “Deuses”, calada, alguns eu sabia. Ficamos ali até que as histórias acabaram e todos foram “dormir”. Fiquei olhando o céu... O Lar.

O coração pulsa. Arqueiro onde estarás?

A Terra é bonita e algumas coisas são estranhas, pois ainda não as compreendo.

O Senhor se aproxima. Aponta o céu, sorrio, sim meu Lar.

Aponta outra estrela, não sei, Senhor.

- Sinta, Filha da Estrela, sinta, não é uma estrela.

Abro meu coração à Luz, coração pulsa. Olho para o Senhor com admiração. Não é uma estrela, é uma caixa de luz!

E ela risca o céu em seu tom azul. Por isto meu coração, ainda a pouco, pulsou?

Arqueiro, nosso eterno sentir, suspiro... Água salgada quer sair dos meus olhos, seguro. Estou bem, ficai sereno.

O Senhor sorri, dando-me boa noite.