História Encantada

ARTHUR

 

Arthur e sua lenda,

ainda hoje cantada.

História Encantada...

(Salve Viajante que lembrou-me: Lenda)

 

 

ARTHUR...

Um belo nome.

Filho, em Terra, do forte Uther e da bela Igraine.

O nome: Arthur, já era pronunciado no Lugar-Sagrado, pois já fora escolhido em Terra.

Arthur chegou para sua descida, chegava do Vale. O Arqueiro o trouxera.

Estava na cela a sentir.

Fui à mesa de estudo, onde estava o Tratado, para assim, segurar o sentimento, pois ele não partira.

Ao tocar no Tratado, vi o nome de Miriam, minha irmã. Fiquei atordoada.

Miriam?!!! O que seu nome fazia ali?

Sintonia, alguém à porta. Abrem-na e é Ela!... Luz!

- O que fazes aqui e no Tratado?

Corri para seus braços.

- Desde que o Tratado foi ditado, meu nome está nele, porém não houve momento de falarmos, você logo veio para cá.

Olho para ela, balançando a cabeça:

- Você não irá descer, não é?!!! Irá!...

Porque Miriam?!!! Sabes como é lá?

- Mayara, estarei com a Senhora da Terra. Apazigúe teu coração, minha irmã. Ele irá descer, terei que estar, você compreende, claro que sim, pois por sentimento seguiu, e, nem ao menos, se preparou, abraça-me. Irei ao Vale, de lá, irei estar com a Senhora. Já me esperam lá fora.

- Miriam, sabes o que é estar lá, ser símbolo? Espera-o no Reino, te peço.

Ela sorri: - Não serei símbolo, apazigúe, não quero te ver assim, com esse sentir. Quero, sim, que me vejas daqui e me envie amor. Ajuda-me a colocar o véu.

O Senhor do Portal entra.

- Porque o Senhor não me falou?

- Está no Tratado, Mayara. Ela estará segura, pois estará com a Senhora da Terra.

- Tão segura quanto Eles?

- Senhor, não me demoro, já irei... Mayara, o que se passa contigo?

Algo, sinto...Não sei por em palavras, mas sinto. E ti afirmo: Estarei bem; pensei que ficaria alegre em me ver. Olha para mim. Teu coração está fechado? Abra-o, todos necessitamos. Temos que estar em harmonia. Te asseguro, que estarei bem. Minha irmã, quero que me vejas daqui, te asseguro, que estarei bem. Abra teu coração.

E segurando o coração, não quero que sintas. Estais no Tratado, eu não sabia e nem senti, de tanto segurar. Em ti também missão, a mim há respeito, mas não assimilo.

Ela pediu-me para irmos ao lago. Eu sabia o que teria a fazer.

Sentamos no lajedo, a água parecia-me mais brilhante.

Ela, tão bela, calada. Retirei seu véu, e coloquei a mão na pura Água cristalina. Passei-a por todo seu rosto.

Em Palavras: - Que a pura água te acompanhe, que em Terra, sejas como ela.

Ela: - Zele por mim.

Engoli a água salgada.

Começa o Trato, como selo. E por amor a ela:

- Sim, onde estiver, sempre e sempre eu cantarei a história do nosso povo e nosso amor por ti.

Ela ergue-se, continuo sentada, pega sua tiara de flores e coloca-a sobre meus cabelos, falando em Trato:

- Em Terra estarei, com a Senhora, e onde estiver, sempre e sempre: estaremos. Ficarás aqui, eu lá estarei, caso eu, em algum tempo, “adormeça” cante nossa canção, e dentro da nossa canção está agora este nosso Trato. E ao “despertar” cantarei a eterna canção do nosso povo, e quando em Terra estiveres, cantarei a ti...

Em palavras não ficou, porém transmitiu-me pelo sentimento. Senti, ela olhando-me esperava resposta.

- Serena podes ficar, feito está nosso Trato. Em Palavras e em nosso elo sentimento.

Ela retira seu anel, e entrega-o a mim.

Corri às flores pegando-as. E como no Reino, de mãos dadas, com as flores entre elas, giramos e giramos! Brincadeira do Reino, onde de mãos dadas, rodando, uma segura a outra, em perfeito equilíbrio e segurança, para não cair.

Selado estava, dentro do que somos no Reino.

Dentro de mim, sabia que, em algum “tempo” na Terra, colocariam-lhe a “pulseira do esquecimento”.

E Miriam desceu com o Arqueiro.

Não se teve com Arthur.

Ela me deixou o seu sentimento referente à Terra e nosso Trato.

 

Foi um bom “Tempo”, aquele.

Compreendia que, o quê para nós, no Lugar-Sagrado, era como um “ano”, na Terra, eram como se dizia “séculos”.

Como era bom estar com ele.

O forte: Arthur.

O preparo para sua descida.

A Terra estava tomada pelas sombras. Os magos negros atuavam, ate a dualidade quase encoberta.

Até na estética, tentavam. Fizeram construções parecidas com os Reinos. A forma externa muito parecida, até em algumas vestes. Tentavam e tentavam: deter o poder.

Como se, a lembrança aflorada dos renascidos, fosse na verdade, aquilo que viam na Terra.

Prenderam os pequeninos seres da Grande Senhora da Terra, tornando-os seus servidores.

Nestes “Tempos”, sumiram da visão dos renascidos: as graciosas fadas, bailarinas coloridas. Resguardaram-se junto à Ela, a Grande Senhora, deixando de serem vistas.

Arthur e o Plano: pegar o Graal – feminino.

A religião implantada, onde, “o amar ao irmão como a si mesmo” crescera e tomara outro rumo.

O rumo do poder, um poder masculino, um poder capaz de realizar guerras, “guerras santas”, como diziam.

Negava-se o feminino, e qualquer respeito ou “culto” a Ela.

Nestes “tempos”, a grande Senhora, apontou um lugar seguro para o feminino atuar.

O feminino que, com a intuição e o sentimento, tanto manteve o Plano Original, ameaçava a grande instituição religiosa.

O feminino que, como a Lua no céu, trazia Luz à escuridão, levando muitos a “sonharem” com o Lar.

AVALON.

Avalon... Soa como a canção, não?

Ava, qual Eva.

Lon, qual lon ga... Distância.

Ilha... Coberta, encoberta pelas brumas.

Ilha... Parecia as caixas de luz, nas nuvens: quais brumas.

Em meio à água... Femininas. Qual água dos ventres férteis, geram Luz. Ali, mulheres se mantinham diante de um padrão, como Lua na escuridão. Lua que dita o “tempo” da colheita e faz subir as marés.

Selado no silencio: Manter.

Propósito: Graal - feminino.

Não permitir que caísse em mãos indevidas.

A busca, a ele, gerou a lenda?

O símbolo da historia de um Homem.

Tê-lo, uma glória.

Que glória?!

Se as Palavras proferidas pelo Homem, estavam sendo deturpadas?!

E Glória - pois nele, estava contida a Energia de um Momentum.

O sangue sem ser mesclado já em Terra.

Onde o Homem assegurou, prometeu, que retornaria para buscar os seus: homens que alcançaram coração.

Um dos Grandes Homens da Constelação, em corpo subiu, como muitos, porém, este era um símbolo muito forte em Terra.

Não como uma demonstração de poder.

Sua exemplificação foi Amor.

Por que subir em corpo e em corpo estar?

Cumprir o prometido.

 

Avalon ...

A Ilha feminina, onde o masculino, quando permitido, também chegava lá. E aprendia a sensibilidade, a intuição e intenção da Senhora da Terra.

Avalon ...

Arthur e Avalon tornaram-se uma lenda.

Como também, a saída do nosso povo e dos filhos do sentimento?

Não chegava a esta parte do Tratado, povo que saiu em missão, que adormeceram. E como próprio Tratado: são vários estrelas-planetas e três constelações.

Tentaram se infiltrar em Avalon?

Claro que sim. Pela Pedra víamos, como também, a Senhora e o Vale. Víamos que: algumas mulheres - magas dúbias - dirigiram-se para lá; como que para iniciarem-se no culto da Grande Mãe: Senhora.

Quando, na verdade, só queriam saber o intuito de Avalon.

O Plano Original corria e junto o Tratado.

O culto à Senhora era reprovado e punido.

Queriam adiar, Àquela, os meios para chegar à superfície.

Porém, Avalon resistia.

Em meio às brumas... Resistia; como em noite de Lua, Lua cheia, a Senhora permitia a descida das caixas de luz. Energia a descer, e as amazonas da Senhora a recebiam.

Observávamos, de Esther: Avalon.

Arthur olhava por longos momentos.

O Senhor do Portal chamou-nos. Seguimos para a ampla Sala.

- O Tempo é propício, a névoa encobre o propósito.

Um Rei. No externo a guerra, para unir um povo.

O propósito: o Graal e a exemplificação. O Graal e o sangue original.

Receberás energia de três pontos: de Avalon; de alguém que estará contigo, perto de ti, e daqui.

Três pontos femininos.

Agora, a ação do Tratado se une, fisicamente, à Senhora.

- Três pontos de energia, por que Senhor?

- É um Tempo de escuridão, onde, à noite, querem atacar a Luz da lua-feminina. Qual a Senhora da Terra.

De Avalon, receberás energia do propósito do Homem Rei, você, que unirá um povo, que reinará na unidade.

De alguém perto de ti - que não se pronunciará, porém, te manterá dentro do propósito.

E daqui.

As três formas de energia: feminina.

Arthur, sorri:

- Então estarei bem acompanhado e nutrido.

- Nem sempre, nem sempre. Lembre-se que, os laços, os verdadeiros laços, são da origem. Não se engane com laços de “sangue” de lá, pois o “sangue” ainda está mesclado.

O tempo-Terra corria longo, pela sua freqüência tridimensional.

“Tempo” e “velocidade”; compreenderia, mais tarde, com o Tratado.

Arthur trouxera o riso solto ao Lugar-Sagrado, por vezes, lembrava-me o Arqueiro.

- Sentirei sua falta, Arthur. Lá fora tudo está pronto.

Estais bonito, serás: um Homem Rei!

Sorrimos.

Era sempre assim, com cada um que descia, guardávamos no coração, o momentum em que estávamos, como que, alongando o “momento” que existia.

Arthur pergunta:

- Sabes onde está Miriam?

Com ternura, respondo-lhe:

- Sinto, não posso falar-lhe. Pela proteção Dela.

Ele acena, entende pela Razão Maior.

Ainda é novo para mim.

Me distanciei para não vê-lo adormecer.

Arthur, no lago... Lembranças.

E num mergulho seu, captei, no seu olhar, um pedido.

O que sentia, sem dúvida, não era para mim e sim para ela.

Segue, Arthur... Toda energia será dada.

Como o adormecer – esquecer – é forte, o Grall estará tão perto dele...Mas isto esta na Razão Maior.

 

Arthur desceu numa bela região.

Em tudo parecia-se com o Reino, no externo.

Gostava de observar pela Pedra.

Exceto a “guerra”, “morte”, “sangue”.

Ele tornou-se um Rei, um bonito e glorioso Rei.

Via e sentia, pela primeira vez, a beleza do Plano se cumprir, como também, era a primeira vez que participava inteiramente.

A beleza do lugar, da missão de Arthur.

A floresta me deixava extasiada com suas cores, iguais às nossas.

Foi na floresta que Uther morreu. E eu assisti; vendo, na bela floresta, seu sangue jorrar e as fadas zelarem por ele.

Frio! O frio no ar, o frio da inconsciência e um frio no corpo de Uther.

O Senhor do Portal acompanhava minha consciência, o me interar como tudo tal novo, a mim.

Embora não assimilasse por inteiro: o Vale, e o lugar da Senhora da Terra.

Minha integração se dava por eles, Miriam e Arthur. Vê-la, era sentí-la.

Ficava muitos momentos, na Pedra, a vê-los e senti-los.

Na lenda fala-se da espada... Estória de criança?

Onde uma espada, dada pela Rainha do lago, deu-lhe à Vontade, como o dedo de um Deus.

Onde estava a espada de Arthur?

Num lago!

Que lago?

Num lago feminino. Forte feminino, que guardou a Pura Vontade em suas águas.

Espada-vontade tornou-o um Rei!

O Rei do Azul e do Prata.

Sim, era muito bom vê-lo, como vê-la. Meu coração pulsava de puro sentimento.

Ela mantinha-se afastada, embora no castelo sempre estivesse, não como rainha ou princesa. Num simples serviço. Bonita ela é.

Os três pontos de energia eram mantidos.

Arthur selou “casou-se”. Ali, Ele amava - um amor expressado a sua esposa. Confundiu-se. Não era Ela,

Guinevere, a esposa de Arthur em Terra, tão especialmente conhecida como também Lancelot.

Lancelot, não retornara ao Lugar-Sagrado para descer. Pois, não subiria em corpo.

O Grande Cavaleiro. Aquele que foi fiel a Arthur em tudo, que o ajudou a encontrar o Graal.

Fiel? Diz a estória, que Ele e a esposa de Arthur, se amavam.

E, de tão fiel, permitiu que sua amada se casasse com o Rei, para cumprir o propósito.

- Cavaleiros! Grita Arthur. Onde está o mapa?

- Arimatéia trouxe-o do oriente para o ocidente, e por estas bandas guardou-o, responde Lancelot.

Arthur, pensativo... Lembranças do Reino, sabe que o mapa está no coração de cada um, porém o propósito: Graal, físico.

- Onde o deixou? Pergunta Arthur.

- Nas mãos do Guardião dos Números, fala Lancelot.

Arthur: - Mas o Guardião dos Números não está por aqui! Só nas areias!

Arthur criou o Círculo para “conversas”: Leis, exemplificando como é um Governante Rei.

O Círculo: a Távola Redonda.

Palavras eram faladas no círculo. Os Viajantes, naturalmente o fazem, sem percebê-lo: Circulo.

Arthur, na Távola, pergunta aos Cavaleiros:

- Poderíamos ir até o Guardião dos Números?

A resposta não foi dada ali, só depois Merlim a deu.

Lembrei-me de quando Anches falou:

- Quando se abrir, amará a Terra.

Se era amor eu não sabia, porém sentia um sentimento, um bonito e participativo sentimento.

Anches estava certo.

Um planeta tão belo, com seres bonitos... Alguns, e com tanta energia perturbadora.

Assim tinha sido com o Reino Cristal.

Num certo momentum, em que eu estava na cela de descanso, senti alguém me chamando, era Ela, Miriam.

O Senhor do Portal entrou na cela: Arthur precisava de energia.

Rápido, seguimos para a Pedra.

Na Pedra vimos, Arthur meio tonto.

Sim, ele carecia de energia.

Por que Ela não lhe envia, Senhor?

Pela sua própria proteção, se Ela enviasse seria descoberta na Terra.

Oh! Miriam, ele carece, você deve estar a sentir.

Sim, você deve estar a sentir.

O Senhor sai de Esther, a cena segue, Arthur tonto, muito tonto.

Está difícil passar-lhe energia, pois é difícil ver o forte Arthur assim, frágil.

Difícil, ver um ato premeditado... Que palavras?

Ali seria gerado um fruto que, aparentemente, lhe tiraria tudo, exceto o Graal e a vida.

Balanço a cabeça, não há beleza alguma.

Fecho os olhos: o propósito.

O coração aquece, segue energia ao grande Arthur.

Segue energia sentimento, mantenha-se Arthur.

Segue sentimento-energia, atinge o coração de Arthur.

Longo foi, até se atingir o forte e bravo coração.

Ele, mesmo tonto, parecia lutar.

Até que a Luz, vinda dos três pontos se uniu, numa dança de rara beleza, surgindo por cima dele... E foi aí, exatamente neste momento, que ele rendeu-se. E na sua tontura, de olhos fechados, nos presenteou com o sorriso conhecido.

E o belo rei abriu os olhos, sóbrios.

Saí de Esther sem muita energia, tento que me equilibrar.

E no lá e cá, eu a vi, na floresta perto do lago, com um manto a lhe cobrir... Sei que de alguma forma e, de forma segura, ela lhe enviava energia. A energia que ele necessitava.

Tomei um longo banho no lago.

 

 

Quando Arthur “morreu”, ela, enfim, foi buscá-lo.

Ele foi levado ferido, desacordado, para Avalon.

Desaparecia nas brumas... Nascia uma lenda.

Desaparecia em Avalon, e subia na caixa de luz.

Ela o acompanhou em tudo, até entregá-lo na caixa.

Ela ficou cantando a lenda do Rei Arthur, tão forte e sentida canção que até hoje é ouvida!

Em seguida, rumou, com as amazonas, para a floresta.

O Grall passou a mãos da grande religião, onde era “santificada”.

Avalon cumprira sua finalidade. Ali, restaram apenas aquelas que, ainda, queriam saber seu intuito, se apegando e praticado magias.

Se fecharmos os olhos, e nos ligarmos a Ela, onde na floresta sempre esteve, entre lendas e mitos, rodeada de fadas e “seres encantados”, a princesa de Azul, na floresta entoava seu canto, e junto aos seres da natureza, prepararam o lugar para a Senhora da Terra poder, enfim, se mostrar e assumir Seu Cargo. No Som da floresta podemos ouvir sua eterna canção. Azul, Ela é, e pelo Raio, Tudo pode ser o que é, e sendo o que é: um amor tão intenso, e em Terra não vivido, mesmo assim, e sempre assim, amor.

A canção do Rei Arthur.

Festa!

Sim, eu sentia: Festa!

O regresso de Arthur.

Anches chegara antes e cá estávamos, a colher na relva, as flores para a chegada dele.

O Lugar-Sagrado está bonito, perfumado, com tochas espalhadas.

Festa!

Sim, eu sentia: Festa!

Colocava as flores colhidas na saia da minha veste.

Anches me observava, ajudando.

- Sim, meu irmão, enfim compreendi.

Vi pela Pedra e senti a natureza bela da Terra.

Era, como me falou, só me abrir.

E participei, atuei na estadia de Arthur e Dela. Ainda é pouca compreensão referente ao Vale e a própria Senhora.

- No Momento certo, amada irmã. Portanto, é festa!

A relva tem o tom verde festivo, as flores no chão prontas a serem colhidas.

O Lugar-Sagrado está pleno deste ar.

Sentes?

Claro, logo a quem pergunto, e Anches fala:

- Ele chegará com Arthur.

Minhas mãos tremem, Anches ajuda-me a segurar as flores.

- Eu sei, Anches, porém não sairei. Quero saudar Arthur. Sinto: festa.

Anches franze as sobrancelhas.

- Será uma surpresa para ele.

Sorrio: - Ele não deve se surpreender com mais nada.

Colhemos as flores, meu sorriso chegava natural, e Anches compactuava.

- Como expressar-me, Mayara? Vê-la, enfim, participar.

- Anches, me conheces tão bem, mantém o mesmo sentir, e sempre estamos na interligação, mesmo que não atinja tua sabedoria, sempre e sempre compactuaremos.

Sempre foi e é assim. Isto não o torna o irmão mais amado de todo o universo?! Além do mais belo, é claro.

Ele sorri, o terno sorriso conhecido.

Me visto sentindo: festa.

Da janela, o movimento do Lugar Sagrado está belo.

E eu compactuava com sua beleza.

Coloco as flores no cabelo.

Minha veste branca. Olho-me e sinto: estou serena referente a compreensão alcanço. Estou serena aos que se mesclaram e que pela Lei do Arbítrio estão e estarão na: Escolha. Estou serena, e também ainda “vejo e sinto” como “estranho” o “tempo”, onde o “reparo” se prolonga. Só vivia ate então: Reparo imediato.

A Razão Maior cria em si um campo vasto, feita: de Amor e Sabedoria.

Compreenderei, sinto.

Cruza o céu a Luz.

O coração pulsa, aquieta-te.

Anches, da janela: - Estão chegando!

Sorrio. - Espera-me já irei.

Corro para fora, a caixa aterrissa.

Todos estão ali, alguns com flores nas mãos.

Pego-as e sorrindo entrego algumas a Anches, que passa o braço pela minha cintura.

- Como é alegria vê-la sorrir, novamente.

Encosto a cabeça no seu ombro.

Olho em volta, todo o movimento bonito de festa.

A escotilha abre...E o bonito Rei desce: Salve Arthur! E começo como todos a lançar as flores.

Ele está com suas bonitas vestes, fisicamente, um tanto diferente.

As flores caem nele, como os pingo da água no lago.

Abraçada a Anches as jogamos- as flores.

É quando vejo o Arqueiro... Abaixando-se da escotilha, olha nosso povo sorrindo, e seu olhar chega a mim.

Seu olhar vai da admiração a surpresa. E por um momento, como na primeira vez em que o vi, o mundo pára, só existe ele.

Ainda parado a olhar-me, puxa o manto e desce.

Anches me puxa e abraça Arthur.

Jogo-lhe flores: - Sê bem-vindo, Salve!

Ele ri, pára, abre os braços inclinando a cabeça.

Abraço-o e rimos, ele roda-me no ar.

Uma mão segura o ombro de Arthur que se volta, é o Senhor do Portal, ao seu lado está o Arqueiro.

O Senhor abraça Arthur, Anches se junta ao Arqueiro.

Abaixo a vista do olhar indagador. Mesmo mantendo o olhar abaixado, o impacto que ele causa é enorme, qual o infinito.

Todos falam com Arthur e eu permaneço ao seu lado, ele me dá o braço.

- Você esteve magnífico, Senhor Rei!

Ele ri, é festa.

Seguimos para Esther, o ritual.

Dentro de Esther, tomam posição.

E um a um, com as tochas, começam o ritual: Luz. Vamos a Água, Anches está no comando dela, na Pedra o Senhor do Portal e na Luz o Arqueiro.

Pego a tocha e sigo.

O Arqueiro olha a Luz, chego perto dele, inclino em saudação.

E falo:

- Luz da Origem! Luz no Vale! Luz na Terra!

Aí ele ergue o olhar. Luz! É o olhar mais belo do universo.

Lá fora, festa.

Sinto-me solta, posso Ser.

Sentados, ouvimos as histórias que Arthur nos conta, mesmo tendo assistido da Pedra, ainda assim, parece “distante” aquela “realidade”.

Ao som da voz de Arthur, ficamos mais perto da História.

A todo momentum sinto o forte olhar do Arqueiro, que indagam. Anda de um lado a outro, e meu coração pulsa, pulsa: vida.

E Arthur: - Agora, dê-me licença, preciso falar com alguém, Anches continua.

Levanta e vem à minha frente, inclina-se em reverência: - Por favor.

Estende a mão. Seguimos para o lago.

- Foi “difícil”, Arthur?

- Nem tanto.

Sentamos e conversamos. Pergunto-lhe como é estar com o Senhor dos Números. Ele me conta que Ele é um dos Seres mais “forte e sábio” que ele conhece. Que sua permanência na Terra, dando os Meios de saída em corpo, pelo Raio ao qual É, e dentro da Historia ali permanece.

Sim, ouvi-lo torna tudo que vi tão próximo.

O movimento do Arqueiro, indo de um lado para outro, pouco falava e vez por outra, nosso olhar se cruzava, abaixava a vista e continuava a conversa com Arthur.

Senti que se aproximava de nos.

Arthur pergunta:

- Mayara, foi você, não foi?

- Sim, Arthur, como combinamos.

Ele: - Ali foi você?

- Fomos nos, os três pontos femininos.

- A reverencio. Sem o envio, eu não conseguiria.

- Claro que sim, foram três pontos! E na tua missão deu-me a compreensão de tantas coisas, eu é que te reverencio, grande Rei!

A forte voz atrás de nos, o Arqueiro:

- Perdão por interromper. Temos que nos reunir.

Aceno.

- Vejo que está bem Mayara, que atua.

Não respondo, Arthur se levanta, pede licença, toca meu rosto com carinho e ruma para Esther.

O Arqueiro permanece em pé, observando-me.

Meu coração pulsa. Ele à minha frente, o sentimento quer se expandir, expandir e tocar o alto.

Dá as costas e segue.

Ando em torno do lago, água serena, serena-me!

É tão forte meu sentimento como o ar que respiro.

Um Homem, que num dado momento, atravessava o rio, olhou-me, e desde ali meu sentimento encontrou o pleno. Que me faz seguir e seguir...

Como explicar um sentimento? É vida, vida plena; em comunhão ou sem ela, permanece.

Como ti explicar, coração? Teu pulsar se expande e quer comungar.

Consigo, pelo entendimento, segurar a forte energia.

Consigo, o não partilhar, segurando a forte energia.

Energia que somos todos nós.

Porém, pelo que somos, Todos nos, não consigo apagar o que sinto.

Pois eu sou sentimento.

Seria, como se possível, apagar meu amor por Anches, por minha mãe, pelo Reino-Casa.

Negaria quem Sou.

São coisas novas para mim.

A sabedoria dos Anciões, longe dela estou, poderia pedir ao Senhor do Portal para fazer meu coração entender a Razão Maior.

Porém, Ele mesmo fala que o coração é sábio, e aí Ele não vai de encontro.

A pura Luz que vive em nós, que segue a Lei, nossa Lei de Harmonia... Nossos corações estão em harmonia?

Dou-me conta! Nossos corações estão em harmonia?

Estou indo de encontro à Lei?

Por que eu faria tal coisa?

Ir de encontro à Lei?!!!

A resposta do coração aponta: dor.

É novo, sim é novo.

Como estar na Lei? Preciso falar com o Senhor.

Sigo para cela, eles estão reunidos.

Terei que falar com o Senhor.

Da janela, respiro o perfume das flores.

Só neste momento compreendo o olhar do Senhor, quando vinha me comunicar que ele estava para chegar. Não estou em harmonia com Ele, o Arqueiro, como nem Ele deve estar.

Olho a caixa de Luz, lá fora.

Logo partirá e eu conversarei com o Senhor.

Eu fui de encontro à Lei?

Porém, ele vive em duas leis, a daqui e a de lá. É assim?

Vou de encontro ao que sinto, isto é a verdade, sinto vontade de ser o que sou, de estar a seu lado, de nosso riso...

Onde expressávamos todo nosso sentimento, toda sua extensão que alcança o infinito e sinto a eterna ligação, esteja onde estiver.

Porém, ao estarmos frente a frente, como calar o que sou?

Fico à frente do mesmo olhar, vida que me é.

Por isto ele não está sereno?

Sentimos... Ambos: sentimos!

Luz que somos!

Eu fui de encontro à Lei?

Não causamos dano a ninguém, exceto a nós.

Achando o que é melhor para ele, tendo em vista sua missão... E o que ele próprio sente?

O vento sopra as flores flocos, suspiro.

Como das outras vezes, irá.

Falarei ao Senhor.

E vejo o Homem saindo de Esther. O forte e belo Arqueiro, solitário segue para caixa de luz. Seus determinados passos bem ali, passos de sua missão e mesmo assim, bem aqui em meu coração.

Meu coração grita alto. E um vento repentino faz as flores flocos voarem, tocando à ele... Como é a pura vontade do meu coração.

Ele vira-se, mesmo distante, nosso olhar se encontra, o momento vivo, Presente... Como deter o que realmente sinto e sou?

Ele se volta para a caixa de luz e eu saio da janela.

Que sigas com a Luz!

Sento-me, e a água salgada desce por meu rosto.

Meu coração há “dor”... A água desce livre, tantas vezes eu as segurei, agora elas caem.

Batem à porta, não respondo, tenho que me refazer. Ergo-me passando a mão na face.

A porta é aberta: Ele!

Com a certeza do meu sentimento, sei que ele captou.

Sem palavras, ele dá uns passos à frente, olha-me, retira o manto e o joga na cadeira.

- Não há mais sentimento?! E o que eu acabo de sentir ainda ha pouco? Fala, Mayara, só assim, eu conseguirei serenar!

Como falar, meu coração pulsa tanto, pleno de vida-Luz. Não ha como reter, não agora. Fico a olha-lo, flui de mim o que sinto, o que sou. Sai do meu coração a pura energia, e, como as flores flocos tocam nele. Ele franze as sobrancelhas, fecha os olhos por algum tempo, faço o mesmo, sinto-ouço nitidamente um só pulsar de coração – a canção.

E ao abrir meus olhos, vejo o que não via ha muito tempo, o Arqueiro sorri, o olhar ganha calor-Luz. Me envolve nos seus braços.

- Todo este “Tempo”!...