História Encantada

 

Historia encantada - REINO.


- Corre Mayara!

O Bosque das Águas!

Perfume das flores-flocos presente e entro em sintonia com elas e o vento.

As flores-flocos desprendem-se, voam, deslizam no ar como que dançando levadas pelo vento.
Suaves flocos coloridos: azuis, amarelas, brancas bailam por todo bosque.

Respiro o ar do vale-bosque,sua beleza me deleita!
Impossível observá-las quieta.

Corro para pegá-las.
As fadas acompanham tão suaves e belas, participando com flores dessa dança elas se desprendem das árvores e voam.

Meu sorriso vem ao senti-las e sorrio alto, correndo, descendo para o rio:

- Sim estou em sintonia com vocês. Vamos fadas! Elmy, não voa para mais longe, temos que ficar todas juntas!

Meu véu prende-se num arbusto, continuo, sentindo meu longo cabelo sobre o rosto.
Como não poder estar mais tempo num lugar tão belo?!
Olhos à frente, bem mais à frente, estão às montanhas, as altas montanhas com vegetação em toda parte.
Nelas o Lugar-Sagrado, depois do rio.

Nele o desconhecido.
Aqui o rio se estreita, águas cristalinas.

Este vale me encanta desde muito e desde sempre estar nele faz parte de mim, aqui a alegria das flores-floco e seu perfume é tão vivo e intenso, como não poder estar?

O bosque das águas.
O vestido esta meio sujinho diante da correia, mas prevalece o bem-estar.
Vê-se o brilho-luz das fadas, e num gesto peço silêncio, pois o tilintar delas é ouvido e é preciso silêncio.
-Como não poder mais sair do Reino?

Sim, sei da historia, não longe dali, em outro Reino, o Reino dos Cristais, foi invadido por seres que não tinham Luz e fazem maldades.

O que eram maldades? Era tudo que estava desacordo com o Amor.

Olho para as fadas e falo por sintonia coração: - Cá estamos, mas não façam barulho, se nos descobrirem aqui, vai ser difícil explicar para meu pai.

Uma das fadas responde em sintonia: - Mas por que não podemos estar no nosso lugar? Explica para nós!

Exclamo para bela fadinha dourada: - Novamente Elmy? Logo sentirão que sai do castelo, vamos às águas.
Sente-se o perfume das flores-flocos, elas se desprendem das árvores e respiro e partilho com elas deste lindo movimento!

O local encoberto pelas grandes árvores esta repleto das flores-flocos.
Reino das Águas, tanto verde natureza.

Águas tão claras, águas que percorrem todo o lugar, e neste bosque onde sempre foi, pra mim, comum, natural estar..o “não poder estar” ainda era difícil entender !

Porque “não se pode mais”?
E penso sentindo: - Sim Elmy, vou novamente contar para vocês.
Coloco a mão na água sentindo:- Salve Água!

Sento-me perto da água, as fadas rodeiam e num gesto peço para também se acomodarem. Sorrio quando vejo que sentam em seus vestidos, mas Elmy senta-se numa flor-floco ficando mais bela ...lindo foi o efeito do dourado cintilante das asas de Elmy sentada na flor-floco lilás.
E pergunto:- como é nosso Reino?

As fadas começam todas juntas a emitirem sons, e peço: - Uma de cada vez e em silêncio, estamos conversando na sintonia do coração, não podemos fazer barulho!!!

Hyndi: - Nosso Reino é tão bonito, tão pleno de verde natureza como as flores-flocos que como nós voam!! Voam porque sentem que aqui estamos por elas.

Elmy: - Sim, mas estamos e não podemos ficar! porque Mayara?

Sempre fomos livres para voar e voar, brincando entre as flores-flocos, sentindo o bosque. Ficarmos só dentro da área do Castelo, não é o mesmo.

Hyndi: - Elmy! Mayara vai fazer com que possamos entender!

Falo:

-Muito bem, vamos todas entender o que ocorre com nosso Reino, mas você esta certa Elmy, mesmo sendo uma área enorme em torno do Castelo, ainda assim, parece que estamos limitadas.

E na verdade estamos.
Olho para o bosque, tanta beleza, lugar onde sempre estive junto com as fadas. Lugar onde mais acima está a nascente das águas e não se pode mais atravessar o rio de águas claras. Suspiro olhando o outro lado do rio.

Já faz algum tempo que ali não podemos mais estar,ali foi construído um lugar onde o povo do Reino de Cristal habita, o Pai cedeu o lugar.

Continuo:

- Vamos ao começo da historia do Reino de Cristal.

Todas vocês conhecem o Reino de Cristal.

Não tem tanto verde como nosso Reino, mas tem a beleza dos cristais coloridos onde víamos tanto brilho, onde o dia parece tão claro.

E o castelo? Todo feito de cristal

Sim, muito bonito, lembram? Sim claro que lembram.

E o que houve com o Reino de Cristal?

Sempre houve o trabalho com os cristais e muitos vieram de longe para trabalhar com eles. E o Rei abriu as portas do reino, como de costume mas entraram nele pessoas que não queriam só trabalhar, queriam tirar tudo.

A estes seres chamamos de magos sem luz .
Queriam e fizeram isso, usar os cristais contra o próprio povo do Reino.

- Como fizeram isso, Mayara?

- Assim Hyndi, entraram no Reino e com uso de magias colocadas nos cristais, fizeram muitos do Reino ficarem dentro dessa magia.

Sabemos que os cristais têm muitos usos e poderes, vocês têm o dom dourado que nos torna despercebidos, não é? Isso faz parte de vocês, no bater de suas asinhas, se sentem que não querem ser vista, o pó dourado naturalmente saem e ficam despercebidas, não é assim? Como fazem comigo, como ainda há pouco, para sairmos do Castelo.

O mesmo ocorreu com os cristais, eles tem isso, não o despercebido, mas dá a outros poderes.

- Que poderes minha princesa?

Sorrio e pego a pequena Misma na mão, e continuo:

- Sabia-se que os cristais têm poderes, como fazer instrumentos que ajudam no nosso transporte, como era usado para visão, naquele óculos gigante, como na porção certa, junto com a água, dão a muitos a cura.

Espera, entendam, dão a cura a povos de outros Reinos que ficam 'doentes'.

Lembram o que é doente? Você mesma Misma, um dia tocou na gosma que esta na caixa de transporte? Você 'esmoreceu', ou seja, você ficou sem sua força, isso é ficar doente!
Fica-se doente quando fazemos coisas que não nos fazem bem.

Mas você tocou a gosma sem saber, não foi? O mesmo aconteceu com muitos do povo do Reino de cristal, eles tocaram sem saber em cristais que os magos sem luz tinham usando num propósito.

Qual o propósito? De ficarem precisando do uso do que os magos sem luz criaram.

E o que eles criaram foi, estou explicando como compreendi, cristais com poderes de fazer o povo ficar a mercê deles, dando toda a força pessoal aos magos sem luz, em troca tinham a ilusão mágica de forças que não existem!

- Não entendi: como forças que não existem?

Respondo:

- Também não sei ao certo, mas parece que deve ser como vemos na tela de cristal, vemos o que acontece, não é assim? Vemos o que acontece em certos locais.

Então parece que aqueles do povo que tocaram nas ditas pedras cristais que os magos sem luz fizeram, eles viam não à visão que temos pela tela, e sim viam o que os magos colocaram nas pedras de cristais, assim, ficaram doentes!

O Rei falou e alertou e acreditou que os que estavam doentes iriam ouvi-lo, mas eles já nem ouviam mais, só ouviam o que os magos sem luz falavam.

Ou seja, deram aos magos toda sua força, atenção, energia. O Rei e Seus filhos intervieram, mas a maioria do povo do Reino já estava doente e não ouviam.

Por isso começou o combate lá no Reino.

- Mayara, estes que tocam as pedras de cristais, podiam se curar?

- Sim Elmy, podiam. No momento que foi descoberto o intuito dos magos sem luz, ainda havia tempo, mas ao que parece, eles preferiram ficar na ilusão do que viam e isso fez com que cada vez mais eles ficassem querendo ver à magia, e nisso cederam suas forças.

- O que eles viam, princesa?

- Ilusão, ilusão que lhes dava sensações estranhas e desconhecidas, como de querem ser donos de tudo.

Ouve-se o riso das fadas e peço silêncio!
Todas elas falando ao mesmo tempo: Como serem donos de tudo?!
E respondo que também não sei e que isso deve fazer parte da magia dos magos sem luz.
Sim, como?

Se tudo é de todos, onde um Rei é Rei por sabedoria e amor, onde não há combate por espaço da natureza, por que tudo é de todos. Como ter combate por algo que pertence a todos!?

Mas os magos sem luz, dentro da ilusão magia, fez com que achassem que há donos, que se seres se tornam 'donos' de algo, ficam mais forte, têm mais poder! Onde, na verdade, o povo que adoeceu, deram suas forças e foram presas fáceis da força da magia - ilusão.

Somos donos de nós mesmos, de nossos sentimentos e pensamentos.

Se nossos sentimentos e pensamentos não estão dentro da Lei Harmonia, o que ocorre? A Lei na hora exige que reparemos nosso pensamento e sentimento. Eis a Lei da Harmonia.

A Lei estava no Reino de Cristal, mas o povo doente já não a sentia.

Sim, é difícil entender tudo isso.

Para sentir temos que estar como? Temos que estar na sintonia do nosso coração, não é assim que falamos dentro do silêncio, sem palavras? Não é assim que é em todo Reino?

Claro que usamos palavras, principalmente quando não entendemos.
Também as usamos com o povo de outros Reinos!
O nome disso, falar com o coração é interligação.

E o povo doente perdeu isso, a ligação com a Lei, com o Rei, pois, por suas ações em discordância com a Lei do Amor se desligaram...se desconectaram...

Ouve-se um som!
As fadas batem suas asas, olho atenta para o céu e vejo um risco escuro cruzar o céu.

Luz! é o som do chamado, temos que voltar ao Reino.

Sobrevoam o Reino!
Mas vou esperar meu Irmão e quem sabe traga a princesa de Cristal.
Emito as fadas:- sigam para o Reino, estarei indo, vão sem serem vistas, por favor!

Não adianta reclamar, ouviram o chamado, vou só esperar ver se Anches esta chegando, não terei como explicar a Ele que vocês estão aqui!

Sigam para o Reino, por favor.
Elas não gostam da idéia, mas batem as asinhas rumo ao Reino.

Ao descer a vista vejo dois guardiões do Reino que me observam ou acompanham, isso é tão novo!

Num gesto: - Sim, eu já ouvi o Som do alerta,só espero Anches chegar e já irei.
E sinto que guardiões zelam, zelam pelo Reino e por todos nós.
Vocês ouviram, sigam para a árvore que dá para o meu aposento.

Sim irei estar com vocês logo mais, só vou esperar por Anches.
Emito aos guardiões:- meu Irmão chegou e só vim até aqui para recebê-lo.
Nas águas, algumas flores caem e ao tentar pegá-las vejo minha imagem e fico a imaginar o que minha Irmã diria caso me visse assim...sorrio, sem o véu, descalça sentindo o orvalho nos pés...

O Som novamente: - já irei! Já irei! emito aos guardiões, serenando-os, que meu Pai não ficará temeroso.

Aliás, isto é tão novo, “temeroso”, coisas novas para nós, creio que Ele nem ficará.
Ainda agachada ouço um som vindo das árvores do outro lado do rio, que se aproxima mais e mais,deve ser meu Irmão!
Sentir, sentir, sentir.

Não capto a sintonia.
Atenta: olhar.
E eis que surge em meio as árvores, do outro lado da margem: o Senhor do Portal!

Ergo-me depressa. Luz!

Meu véu ficou em algum lugar e vão me ver assim sem o véu!
Alguns Homens estão vindo com Ele, e os observo.

O majestoso Senhor do Portal!
Sou levada, como que puxada, para um que está à Sua direita.
Olhos negros prendem-se aos meus. Um olhar como nunca tinha visto, nada igual.
Eles atravessam o rio, não consigo parar de olhá-lo, são olhos nos olhos, meu coração dá um salto.
Passo as mãos molhadas nas minhas vestes brancas, não mais tão brancas, com o babado todo molhado e fico com as mãos no coração, que pulsa rápido ao sentir o olhar.
Ele da um leve sorriso e o Senhor do Portal fala:

- O que faz aqui? Não ouviu o Som?

Inclino-me, baixando os olhos. - Salve Senhor do Portal! Vim esperar meu Irmão.

O Senhor, mantém-se na mesma postura e responde:- Que já deve estar no Lar. Mayaran,siga para o Reino!

Ergo os olhos e me deparo com “o olhar”, é um olhar arqueiro, como na mira atinge o alvo.
Um Arqueiro? Talvez.

Olhar que tira o ar, e ao mesmo tempo, me faz respirar.
- Sim, Senhor, respondo...

Eles passam por mim, emitem algo aos guardiões, porem não estou em sintonia.
Só estou a olhá-lo, olhar que não desvia e seguem rumo ao Reino.
Todos os que estão no Lugar-Sagrado trazem em si algo diferente.

Vou onde está meu véu, num arbusto o retiro e o coloco, os guardiões me aguardam e os observo seguindo ao Reino

Minha mão no coração!

Pode ser este Homem do Lugar-Sagrado ? Sinto isto! Nunca senti nada igual, meu coração pulsa.
Preciso ver novamente o “olhar arqueiro”.
Andando entre às arvores, já à frente do Reino, cercado pelas alamedas de flores e a água que vinda do rio, ali se tornam planas como um lago.

A entrada principal - o grande brasão, da nossa Casa – Lar, saúdo-o!
É dia de troca no Reino, não há tanto movimento como antes, pois com os riscos negros no céu, não pode haver risco de idas ou vindas, exceto com permissão.

Passo pelo Lar Castelo-Ham sigo para o leste, onde ficam os arqueiros.

Chego à colina onde o verde da relva é constante e já vejo descendo os arqueiros.

Paro observando, são gestos com ações precisas.

Enfileirados, arcos nas mãos, miram alvos.
Lembro-me quando meu Irmão nos levou para ver os novos arcos.
Quando foram testados pela primeira vez, tão diferentes dos anteriores!
Uma névoa cobriu meus olhos, olhei para meu Irmão e Ele também sentiu aquilo, aquela névoa, tão diferente de como era usado, dava alegria, agora era só névoa.

- Novamente fora do Lar, Mayara?

- Senhor do Portal! Estou indo para o Lar agora!
Não, Ele não esta aqui, melhor seguir, reverencio o Senhor e rumo em direção ao Lar.
No Castelo-Ham a porta é aberta, agradeço.
No salão maior, ouço vindo da sala de Sons, a voz do meu Irmão.
Apresso-me ate lá.

E ei-lo.
Olha-me com alegria, seus olhos cor de mel, cabelos mel e dourados, iguais aos meus.

Jogo-me em seus braços.
- Mayara...
- Meu Irmão, fui te receber no bosque - vale, nos desencontramos.
- Já lhe falei para não ir até lá, porém falar contigo é sempre tão bom que faltam-me palavras...

Paramos de falar de imediato, entram na sala.
Ele, o Arqueiro, ao lado do meu Pai.

Olhos negros, cabelos nos ombros, alto, ele é.

Barba por fazer, semblante forte, como a expressão e impressão; pura força usa roupas de combate, é sim um Arqueiro.

- Mayara, o Senhor do Portal falou-me que estavas no rio. Quantas vezes tenho que te falar...

Irmão: - Pai, ela só foi me receber, não o fará mais. Não é irmã?

Não respondo, pois chega o Senhor do Portal.
Meu Pai me olha pedindo para sair.

Me retiro da sala.
Porém, ouço nitidamente: - Resta-nos Queimar Cristal